Estudo aponta que reconstrução de mama com tecido próprio tem melhor resultado que implantes
Pesquisa mostra que uso de tecido da própria paciente reduz falhas e melhora avaliação estética após mastectomia e radioterapia.
Por Redação Diário Local
Uma pesquisa multicêntrica realizada com 113 pacientes indicou que a reconstrução mamária feita com o tecido da própria paciente apresenta resultados superiores ao uso de implantes após processos de mastectomia e radioterapia. O estudo aponta que a utilização de tecido autólogo reduz riscos de falhas e oferece maior satisfação estética.
Os dados foram publicados na revista científica Breast Cancer Research and Treatment no último domingo (20). Segundo os pesquisadores de Singapura e da Austrália que conduziram o estudo, o grupo que recebeu implantes apresentou uma taxa de falha na reconstrução de 28,9%.
Em contrapartida, não houve registro de casos de falha entre as pacientes que utilizaram o próprio tecido corporal para o procedimento. Além da taxa de sucesso, os cientistas observaram que a ocorrência de endurecimento da mama também foi maior no grupo que utilizou implantes.
A avaliação estética também apresentou disparidade significativa entre os métodos. O índice de satisfação considerada boa ou excelente foi de 83,8% para o grupo de tecido próprio, enquanto o grupo de implantes registrou apenas 36,6%.
Apesar das diferenças nos resultados estéticos e na incidência de complicações, os índices de recorrência do câncer foram semelhantes nos dois grupos avaliados. A escolha da técnica depende, primordialmente, de fatores anatômicos e do tratamento realizado.
Como é escolhida a técnica de reconstrução?
A mastologista do Hospital Samaritano, Cinthia Aparecida Moreira, explica que a reconstrução pode ser feita de duas formas: com o aproveitamento do próprio tecido da mama ou por meio de implantes. A decisão técnica depende da quantidade de tecido que é preservado após a retirada do tumor.
Quando a paciente possui uma mama que favorece a retirada do tumor e permite a reconstrução com o tecido restante, pode-se realizar a técnica de mamoplastia oncoplástica. Esse método utiliza a própria estrutura da paciente para recompor a forma mamária.
Já o uso de implantes é indicado quando há necessidade de retirar toda a glândula mamária e não resta tecido suficiente para reconstruir a mama. Nesses casos, o dispositivo artificial cumpre a função de restabelecer o volume.
A escolha também é influenciada pelo tamanho do tumor. Quando as características da lesão permitem uma cirurgia menor, a equipe médica tem a possibilidade de preservar parte da mama para a reconstrução.
Existe idade limite para o procedimento?
De acordo com a médica Cinthia Aparecida Moreira, não há um limite de idade para determinar a indicação ou contraindicação da reconstrução mamária. A possibilidade do procedimento está ligada ao estado de saúde da paciente.
“Sempre que essa paciente tiver condições clínicas de fazer uma reconstrução, nós podemos indicar, sim, essa reconstrução mamária”, afirma a especialista. O foco é a viabilidade clínica individual de cada caso.
O cronograma da reconstrução também pode variar conforme o planejamento oncológico. O procedimento pode ser realizado de forma imediata, ocorrendo simultaneamente à cirurgia de retirada do tumor.
Outra possibilidade é a realização em duas etapas. Na primeira fase, ocorre a retirada do tumor e, após o término de todo o tratamento, faz-se a conclusão da reconstrução mamária.
