Especialistas explicam riscos de morte súbita em corredores após morte de atleta em maratona
Caso de corredor de 50 anos em São Paulo levanta alerta sobre doenças silenciosas e a importância de respeitar sinais do corpo.
Por Redação Diário Local
A morte do corredor Júlio Barreto, de 50 anos, logo após participar da SP City Marathon no último sábado (26), em São Paulo, trouxe novamente o debate sobre os riscos de morte súbita durante ou após atividades físicas. Especialistas alertam que, embora o risco seja estatisticamente baixo, causas silenciosas podem afetar até mesmo pessoas que seguem recomendações de saúde.
A médica Ana Paula Simões, representante da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), afirma que a doença arterial coronariana — o entupimento de artérias por gordura — é a causa mais comum de morte súbita ligada ao exercício. Segundo a especialista, essa condição pode evoluir de forma silenciosa por anos, sem apresentar sintomas ou alterações em exames de sangue e eletrocardiogramas de repouso.
Por que o risco ocorre no fim da prova?
De acordo com o docente da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), Andrey Jorge Serra, o final de corridas de longa distância é um momento de atenção. Durante o esforço, o corpo passa por transformações como o aumento dos batimentos, dilatação de vasos e redirecionamento do fluxo sanguíneo para os músculos, reduzendo o fluxo para órgãos como fígado e rins.
Ao concluir a corrida, a interrupção abrupta dessas alterações hemodinâmicas pode servir como estímulo para um distúrbio cardíaco. Serra destaca que a incidência desses casos é pequena, estimada em até 2 para cada 100 mil praticantes, e que a corrida continua sendo um dos esportes mais indicados para a saúde cardiovascular.
Sedentarismo vs. Prática esportiva
A SBMEE ressalta que o risco de problemas cardíacos durante o esforço é maior em pessoas sedentárias, pois o coração de quem treina desenvolve adaptações protetoras. No entanto, a médica Ana Paula Simões reforça que o sedentarismo continua sendo um dos principais fatores de risco cardiovascular, sendo um perigo "maior e silencioso" do que o risco monitorado do esporte.
O aumento da visibilidade de casos também é atribuído ao crescimento do número de eventos. Em 2026, o Brasil deve registrar mais de 200 eventos de corrida, o que amplia a chance estatística de fatalidades e a cobertura mediática sobre o tema.
Quais sinais indicam perigo?
Os especialistas recomendam que qualquer um dos sinais abaixo seja motivo para interromper imediatamente o exercício e buscar ajuda médica:
- Dor ou aperto no peito;
- Falta de ar desproporcional ao esforço;
- Tontura ou sensação de desmaio;
- Palpitações ou batimentos irregulares;
- Suor frio súbito, náuseas ou palidez;
- Confusão mental.
Para quem deseja iniciar, a orientação é a progressão gradual, começando por caminhadas e respeitando os limites do corpo. A atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) é apontada como via acessível para exames iniciais, como o eletrocardiograma, essenciais para quem busca segurança na prática esportiva.
