Saúde mental no trabalho passa de pauta de RH a exigência de gestão e conformidade legal
Adoecimento mental lidera afastamentos e nova norma exige que empresas realizem a gestão de riscos psicossociais.
Por Redação Diário Local
A saúde mental no ambiente de trabalho deixou de ser uma pauta restrita aos setores de Recursos Humanos para se tornar uma prioridade de gestão e uma obrigação legal para as empresas. A mudança ocorre devido à necessidade de conformidade com normas regulamentadoras e ao impacto direto do adoecimento mental nos custos corporativos.
O crescimento do adoecimento mental tem sido um dos principais motivos de afastamentos profissionais no país. Esse cenário exige que as organizações tratem o tema como parte essencial da gestão de riscos, indo além de ações isoladas de benefícios.
O aumento de casos gera impactos financeiros significativos para as companhias. Entre os principais prejuízos observados estão o crescimento do absenteísmo, que são as faltas ao trabalho, e do presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não possui condições de produzir.
A rotatividade de funcionários também é afetada, elevando os gastos com novas contratações e treinamentos. Por esse motivo, o cuidado com a mente passou a ser visto como uma estratégia para reduzir perdas produtivas e custos operacionais.
Além dos fatores econômicos, a pressão da sociedade e dos próprios trabalhadores por ambientes mais saudáveis tem acelerado o debate. A busca por ambientes de trabalho equilibrados transformou a cultura organizacional nas últimas décadas.
O principal fator de obrigatoriedade, entretanto, reside na mudança do marco legal. A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) passou a exigir que as empresas realizem a gestão de riscos psicossociais, tornando o tema uma questão jurídica.
O que muda com a NR-1?
A nova exigência da NR-1 estabelece que as empresas devem identificar, registrar e tratar os riscos psicossociais no ambiente laboral. Isso transforma o cuidado com a saúde mental em uma questão de conformidade técnica e de segurança de trabalho.
Existe uma diferença importante entre as iniciativas de bem-estar e a gestão obrigatória. Ações voltadas ao bem-estar, como atividades de relaxamento ou benefícios, são consideradas voluntárias e visam o clima organizacional.
Por outro lado, a gestão do risco psicossocial é uma exigência legal para garantir a segurança do trabalhador. Ela complementa o trabalho de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e a trilha de conformidade (compliance) das organizações.
Ferramentas de apoio têm sido utilizadas para organizar e documentar essas medidas. O objetivo é fortalecer a defesa jurídica das empresas e garantir que os processos de identificação de riscos sejam efetivos.
Contudo, especialistas alertam que o uso de ferramentas tecnológicas não substitui a responsabilidade técnica do empregador. O suporte digital ajuda na organização, mas a responsabilidade legal sobre os colaboradores permanece com a empresa.
O uso de sistemas de conformidade não assegura, por si só, imunidade a multas ou autuações. O resultado de uma fiscalização ou de uma demanda judicial depende da implementação efetiva das medidas de proteção no dia a dia.
Tratar a saúde mental como prioridade de gestão serve para proteger as pessoas e preparar o negócio para as exigências da lei. A conformidade ajuda a mitigar riscos de ações trabalhistas e danos à imagem corporativa.
A gestão adequada dos riscos psicossociais é, portanto, um passo necessário para a sustentabilidade das empresas. Agir preventivamente evita que o problema se torne uma crise de gestão ou um passivo jurídico para a organização.
