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Saúde

Exposição a plastificante durante gravidez pode elevar risco de autismo e TDAH em crianças

Estudo publicado no periódico Med associa o composto DEHP a sintomas de desatenção e hiperatividade em crianças após exposição pré-natal.

Por Redação Diário Local

A exposição a um tipo de plastificante durante a gravidez pode estar relacionada a alterações no desenvolvimento cerebral e a sintomas de autismo e TDAH na infância. A associação foi identificada em um estudo que acompanhou mulheres grávidas e seus filhos até os 4 anos de idade.

O composto analisado é o DEHP, um tipo de ftalato encontrado em plásticos utilizados no cotidiano. A substância pode entrar no organismo por meio da ingestão, inalação ou contato com a pele.

Os resultados foram publicados em 11 de setembro no periódico Med. De acordo com os dados, uma maior exposição ao DEHP durante o período gestacional esteve ligada a mais sinais de desatenção, hiperatividade e dificuldades de interação social nas crianças.

Como a substância afeta o cérebro?

A análise apontou mudanças na metilação do DNA, um processo que regula a ativação dos genes sem alterar o código genético. Essas alterações atingiram redes ligadas ao desenvolvimento do cérebro, especialmente em áreas relacionadas à emoção, atenção e comportamento social.

Os cientistas identificaram um conjunto de 531 genes associado à exposição ao plastificante, sendo que parte desses genes já possui relação conhecida com o risco de autismo e TDAH.

Para realizar a pesquisa, os níveis da substância foram medidos em amostras de urina de 847 gestantes ao final da gravidez, além da análise do sangue do cordão umbilical após o nascimento. O comportamento das crianças foi monitorado aos 2 e 4 anos por meio de questionários preenchidos pelos pais.

O que dizem os pesquisadores sobre os riscos?

Os efeitos observados foram mais marcantes em crianças que apresentaram níveis mais altos de contato com a substância durante a gestação. Um ponto de atenção levantado é que os efeitos ocorreram mesmo em níveis de exposição considerados seguros pelos padrões europeus.

Apesar da associação encontrada, os autores do estudo ressaltam que o trabalho não estabelece uma relação direta de causa e efeito. No entanto, eles defendem a necessidade de reduzir a exposição a ftalatos no dia a dia e de revisar os parâmetros de segurança voltados para gestantes.

O estudo também observou que uma alimentação baseada em alimentos integrais durante a gravidez esteve associada a menos problemas de atenção e a uma melhor interação social nas crianças. Os pesquisadores reforçam a necessidade de novos estudos para confirmar os achados e entender como esses compostos interferem no desenvolvimento cerebral.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.