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Saúde

Sistema do SUS antecipa surtos de doenças respiratórias com base em vendas de remédios

Uso de dados da Atenção Primária e de vendas de remédios isentos de prescrição permitiu identificar sinais de doenças até três semanas antes de internações

Por Davy Albuquerque

O uso de dados de vendas de medicamentos isentos de prescrição e registros da Atenção Primária à Saúde (APS) permitiu antecipar sinais de surtos de doenças respiratórias no Brasil em até três semanas. O estudo avaliou o desempenho do sistema ÆSOP (Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico), que está sendo implementado pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a pesquisa, as vendas em farmácias emitiram alertas antes do aumento das hospitalizações em cerca de 57% dos 746 episódios analisados. Já os dados da Atenção Primária apresentaram eficácia similar, antecipando aproximadamente 60% dos aumentos de casos observados.

Como funciona o sistema de antecipação?

O sistema ÆSOP utiliza a chamada vigilância sindrômica, que monitora padrões de sintomas — como febre, tosse e mal-estar — antes mesmo da confirmação laboratorial de uma doença. O objetivo é identificar a circulação de agentes infecciosos nos estágios iniciais, quando os casos ainda são leves.

A ferramenta integra dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) com informações sobre vendas de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP), como descongestionantes nasais, obtidas da empresa IQVIA. Essa combinação permite enxergar sinais que podem passar despercebidos pelos sistemas tradicionais de vigilância.

A detecção precoce oferece uma janela de tempo para que o sistema de saúde se prepare. Com o alerta emitido de uma a três semanas antes da elevação dos casos graves, é possível organizar a assistência, ampliar a coleta de amostras e planejar a disponibilidade de leitos e insumos.

Desafios e variações regionais

Apesar dos resultados positivos, o desempenho do monitoramento não foi uniforme em todo o território nacional. O estudo apontou diferenças entre as regiões, o que reflete as desigualdades no acesso à saúde e nos padrões de consumo de medicamentos em cada localidade.

Mesmo com as variações, o sistema apresentou boa performance em cerca de três quartos do país. Os pesquisadores observaram períodos em que houve aumento simultâneo de atendimentos na atenção básica e de vendas em farmácias, sem um crescimento correspondente nas internações, o que indica a presença de surtos de casos leves.

O Ministério da Saúde segue com a fase de implementação do sistema nos municípios brasileiros. Segundo os pesquisadores, a integração desses dados com informações climáticas e de mobilidade humana pode fortalecer ainda mais os alertas precoces contra futuras crises sanitárias.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.