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Saúde

Postura do tutor influencia comportamento de cachorros e gera ansiedade em pets

Entenda como o estado emocional, o tom de voz e a falta de rotina do tutor podem causar ansiedade e desobediência nos cães

Por Davy Albuquerque

Comportamentos como latidos excessivos, ansiedade, destruição de objetos e dificuldade em obedecer comandos são frequentemente interpretados por tutores como simples desobediência. No entanto, esses atos costumam ser sinais de falhas na comunicação direta entre o tutor e o cão.

Como os animais não utilizam a fala, eles realizam a leitura do mundo por meio da energia, dos gestos, das emoções e da rotina dos seus tutores. O entendimento desses canais de percepção é o que permite ajustar hábitos diários e criar um ambiente seguro para o animal.

Segundo André Cavalieri, especialista em comportamento canino e sócio-fundador da Dog Corner, o segredo para uma convivência pacífica é aprender a "falar a língua do cão". Ele explica que focar apenas em dar ordens verbais, sem um critério prévio, não traz os resultados esperados.

Para o profissional, antes de tentar ensinar comandos, é necessário alinhar intenção, emoção e ação. O cão lê o comportamento do tutor e não apenas o que é dito verbalmente.

Como a postura do tutor afeta o pet?

A transformação na convivência depende de uma autoanálise sobre o estado psicológico de quem cuida do animal. O tom de voz adotado, os movimentos corporais bruscos e até o estresse acumulado no trabalho são transmitidos diretamente ao pet no cotidiano.

Cavalieri pontua que os cães não entendem discursos, mas sim postura e energia. Por exemplo, um tutor ansioso tende a gerar um cão ansioso, enquanto um tutor agressivo pode resultar em um animal agressivo ou extremamente medroso.

Outra estratégia fundamental para obter a atenção do animal é diminuir o "falatório excessivo". Muitos tutores cometem o erro de insistir em comandos repetitivos e longos, o que acaba gerando ruído e confundindo a mente do cachorro.

Em vez de insistir na voz, o especialista recomenda o uso de um olhar firme, uma pausa consciente ou um redirecionamento corporal bem feito. Essas ações comunicam muito mais do que comandos redundantes.

Qual o papel das regras e da rotina?

Após o ajuste da postura pessoal, o próximo passo é a estruturação física e prática do ambiente. Estabelecer regras claras é essencial para que o cão se sinta seguro e calmo durante a rotina.

A consistência é um ponto crucial apontado pelo especialista. Se hoje é permitido subir no sofá e amanhã não é, o cão não está testando limites, mas apenas tentando entender um sistema que muda o tempo todo.

Além das regras, ter horários bem definidos para comer, passear e descansar funciona como uma ferramenta de comunicação emocional. O alinhamento desse relógio biológico ajuda a diminuir a frustração e evita distúrbios comportamentais.

O gasto de energia física e mental também deve ser tratado como uma obrigação diária dos tutores. Segundo Cavalieri, nenhuma tentativa de comunicação funciona se o cão estiver com excesso de energia acumulada.

Como identificar os sinais do animal?

O estágio mais maduro da comunicação ocorre quando o tutor deixa de apenas ditar ordens e passa a escutar os sinais corporais discretos do pet. O diálogo pleno ocorre quando o humano é capaz de decifrar as respostas que o animal envia.

Ignorar manifestações físicas comuns, como bocejos frequentes, desvios repentinos de olhar, alterações na respiração e na velocidade dos movimentos, acaba sabotando a evolução do aprendizado.

Quando os tutores se tornam atentos e respeitosos a esses sinais, o comportamento geral do animal melhora naturalmente. Para o especialista, o objetivo final é que a comunicação não seja sobre controle, mas sim sobre conexão e respeito mútuo.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.