Acúmulo de objetos pode comprometer a vida e a higiene de residências, alerta especialista
Especialista explica que o comportamento de guardar itens sem utilidade ultrapassa a desorganização e afeta a qualidade de vida.
Por Redação Diário Local
O hábito de armazenar objetos sem utilidade pode ultrapassar a barreira da desorganização e se tornar um transtorno de acumulação, comprometendo a circulação, a higiene e a qualidade de vida dos moradores. O comportamento ocorre de forma progressiva e pode impedir o uso de partes inteiras de uma residência.
Em uma casa de dez cômodos em Brasília, por exemplo, quatro ambientes já se encontram totalmente ocupados por itens acumulados ao longo do tempo, impossibilitando a passagem. A situação afeta uma idosa de 82 anos, sua filha de 63 e sua neta de 30 anos.
A presença de excesso de pertences tem dificultado a limpeza diária, resultando em problemas como a presença de mofo e insetos. De acordo com a neta da idosa, Fernanda Ágata, a acumulação aconteceu de maneira lenta e silenciosa, dificultando a percepção inicial do problema pela família.
O que caracteriza o transtorno?
Para o psicólogo Douglas Kawaguchi, professor da Faculdade Sírio-Libanês, guardar objetos é um comportamento humano natural. O transtorno caracteriza-se quando o acúmulo perde a finalidade prática e passa a interferir diretamente no convívio social e na manutenção da higiene do ambiente.
O especialista esclarece que a pessoa com esse transtorno não acumula por preguiça ou falta de organização. O comportamento costuma estar ligado à tentativa de controlar o ambiente, pois os objetos representam, para o acumulador, uma sensação de segurança e proteção.
Entre os sinais que ajudam a identificar o problema estão a perda gradual de espaço útil na casa, a dificuldade crescente para limpar os ambientes, o sofrimento emocional ao tentar descartar qualquer item e o comprometimento da higiene pessoal e social.
Como funciona o tratamento?
O processo de tratamento costuma ser de longo prazo e exige paciência. Especialistas afirmam que a psicoterapia é uma ferramenta essencial para compreender as causas do comportamento e reconstruir a confiança nas relações humanas.
Um ponto crítico é o descarte de pertences. Retirar objetos sem o consentimento da pessoa pode agravar o quadro, gerando nervosismo, choro e sensação de traição no indivíduo. Recomenda-se que a família evite confrontos e o descarte forçado.
O objetivo principal das intervenções é entender o que motiva o comportamento e buscar uma redução gradual dos itens, permitindo que o desejo de desapegar parta, preferencialmente, da própria pessoa afetada.
