Unicef aponta que 13,5 milhões de crianças no mundo ficaram sem vacinas no primeiro ano de vida
Dados do Unicef revelam que 15% dos bebês globais não completam o ciclo vacinal, enquanto o Brasil registra melhora na imunização.
Por Davy Albuquerque
Cerca de 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, de acordo com dados governamentais compilados pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para Infância) e divulgados na quarta-feira (15).
O levantamento indica que a cobertura vacinal completa para a primeira infância ainda é uma realidade distante para 15% dos bebês no planeta. Além dos casos de crianças que não receberam doses, outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico que exige três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).
Segundo o estudo “Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional”, houve um avanço em comparação aos períodos anteriores, com 116 milhões de bebês recebendo ao menos uma dose da vacina DTP em 2025.
Por que a cobertura para o sarampo preocupa?
O Unicef alerta que o ritmo atual de crianças sem qualquer dose aumenta o risco de surtos de doenças. O índice é considerado alto e está em patamar próximo ao registrado em 2009, sendo inferior ao período que antecedeu a pandemia de covid-19.
Um dos principais pontos de atenção é a vacinação contra o sarampo. O abandono do ciclo ocorre principalmente na transição entre as doses: enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose (MCV1), apenas 77% completam a segunda dose (MCV2). O limite de segurança estabelecido para essa imunização é de 95%.
Em 2025, o mundo registrou mais de 411 mil casos de sarampo, com surtos distribuídos por 57 países.
Desafios globais e o cenário no Brasil
O relatório aponta que a instabilidade política, a insegurança e o subfinanciamento crônico em contextos de conflito são barreiras para os programas de imunização. Mais da metade das crianças que não foram vacinadas vivem em áreas afetadas por crises, embora esses locais concentrem apenas um terço da população infantil mundial.
No Brasil, o cenário apresenta uma trajetória de melhora. O país registra uma redução constante no número de crianças sem vacinação, com uma estimativa atual de 50 mil bebês na categoria 'zero-dose'. O Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam melhora na integração dos dados públicos brasileiros.
Entretanto, a cobertura da vacina tríplice (DTP-3) no Brasil ainda é considerada baixa, situando-se na faixa de 86%. O relatório também destaca a necessidade de levantamentos independentes sobre o tema para assegurar a qualidade das informações nacionais.
