Pesquisadores usam alface e tabaco para produzir proteína de carne vegetal
Estudo revela que modificação genética de plantas permite produzir mioglobina, proteína que dá cor e sabor à carne.
Por Redação Diário Local
Pesquisadores de universidades da Inglaterra, Estados Unidos e China estão utilizando plantas de alface e tabaco para produzir mioglobina, uma proteína que pode servir como base para a criação de carne vegetal. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (6), na revista Frontiers in Plant Science.
A tecnologia utiliza engenharia microbiana em biorreatores para inserir genes de mioglobina suína e bovina nos cloroplastos — estruturas que atuam como usinas de energia durante a fotossíntese — de mudas de tabaco e alface. A inclusão dessa proteína busca replicar o sabor, a cor vermelha e o aspecto metálico característicos dos músculos de animais vertebrados.
Segundo a pesquisadora Alexia Groff, do Imperial College London, a modificação genética de plantas para produzir a proteína animal em seus cloroplastos pode oferecer um caminho mais sustentável para a fabricação de ingredientes destinados a produtos cárneos à base de plantas.
Como funciona a produção vegetal?
Os testes confirmaram que as mudas integraram o gene clonado ao genoma, permitindo que as plantas crescessem, florescessem e gerassem descendentes. Para o experimento, os cientistas compararam a inserção nos cloroplastos com a inserção no genoma nuclear das plantas e em uma alga.
A pesquisa identificou que a inserção nos cloroplastos foi mais eficaz devido à natureza dessas estruturas. O rendimento de mioglobina registrado foi de aproximadamente 800 mg/kg de peso seco no tabaco e 810 mg/kg na alface, volume três vezes superior ao obtido via genoma nuclear.
A escolha do tabaco ocorreu por ser uma planta eficiente para o desenvolvimento da tecnologia, enquanto a alface foi selecionada por ser uma cultura comestível aplicável à produção de alimentos.
Impacto ambiental e comercialização
Apesar de o teor de proteína ainda ser menor que o da carne animal — que varia de 8,1 a 11,2 mg por grama seco —, os autores do estudo ressaltam que o cultivo vegetal demanda menos água e terra e apresenta menores emissões de gases de efeito estufa.
O estudo aponta que a produção de proteína por hectare no modelo vegetal pode alcançar ou superar a rendimento da criação animal. Em uma etapa futura de comercialização, a proteína poderá ser extraída das folhas e purificada industrialmente para ser utilizada em produtos vegetais.
