Diário Local
Tecnologia

Pesquisadores da USP apontam falta de auditoria em algoritmos usados pelo poder público

Diferente dos sorteios da Caixa, que têm fiscalização presencial e ao vivo, sistemas automatizados do governo ainda não possuem checagem independente.

Por Redação Diário Local

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) alertam para a falta de mecanismos de auditoria independente para os algoritmos utilizados pelo poder público. Segundo o levantamento, diferentemente do que ocorre nos sorteios das loterias federais, que possuem fiscalização presencial e acompanhamento público, os sistemas automatizados do governo ainda carecem de checagens externas para avaliar resultados e possíveis riscos.

O protocolo das loterias da Caixa Econômica Federal funciona com inspeção de equipamentos e globos antes e depois de cada extração. O processo conta com a presença de auditores independentes e é transmitido ao vivo pelos canais digitais da instituição, visando garantir que qualquer irregularidade interrompa o sorteio imediatamente.

O estudo, publicado pelo Jornal da USP, aponta que essa transparência física não encontra equivalente quando o tema é a tecnologia. A lacuna de fiscalização se torna preocupante à medida que algoritmos passam a decidir questões essenciais, como a seleção de beneficiários de programas sociais ou a gestão de serviços públicos.

O que é a auditoria de algoritmos?

A proposta de auditoria citada pelos pesquisadores não exige que órgãos públicos ou empresas revelem o código-fonte de seus sistemas. O objetivo central é estabelecer mecanismos independentes que consigam avaliar o impacto e os riscos das decisões tomadas por essas linhas de código.

Atualmente, existe o risco de um agente público reproduzir uma recomendação algorítmica sem que haja uma validação externa equivalente à que ocorre nos concursos das loterias. Isso significa que, embora o sistema seja considerado confiável, não há uma checagem de terceiros para garantir a imparcialidade do resultado final.

Diferenças entre o setor público e o privado

No setor de apostas online, o modelo de transparência segue um formato diferente. Empresas do mercado, como a KTO, divulgam mensalmente dados sobre o comportamento de jogadores e informações dos geradores de números aleatórios (RNG), buscando comprovar tecnicamente que os resultados são imparciais.

Essa diferença de modelos reflete a complexidade de certificar plataformas digitais. Enquanto as loterias federais utilizam o modelo de conferência presencial e visível, o setor de tecnologia e jogos online ainda busca padronizar como essas verificações podem ser feitas de forma transparente.

O debate sobre a segurança desses processos também alcançou o Legislativo brasileiro. Atualmente, tramitam projetos de lei que discutem a certificação de plataformas de jogos de azar online, tentando regulamentar a confiabilidade das operações digitais.

O impasse central para o poder público permanece na criação de regras que permitam a fiscalização de sistemas automatizados sem comprometer a segurança tecnológica, garantindo que a tecnologia sirva como apoio à decisão, e não como uma caixa-preta sem controle.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.