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Tecnologia

Anthropic pagará US$ 1,5 bilhão por digitalização destrutiva de livros

Empresa dona do chatbot Claude fará acordo após processo de autores acusarem digitalização em massa e destruição de obras físicas.

Por Redação Diário Local

A Anthropic, empresa desenvolvedora do chatbot Claude, aceitou pagar US$ 1,5 bilhão para encerrar uma ação coletiva movida por um grupo de autores. O acordo busca resolver acusações de que a companhia adotou um método de digitalização destrutiva para coletar dados de obras protegidas por direitos autorais, conforme revelado em autos judiciais.

A disputa judicial envolve o chamado 'Project Panama', um plano que teria começado no início de 2024. Segundo documentos do processo, a empresa comprava dezenas de milhares de livros por vez e utilizava um prestador de serviços terceirizado para realizar a digitalização em massa.

O método consistia em utilizar máquinas hidráulicas para cortar as lombadas dos livros e separar as páginas individualmente para digitalização. Após o processo, o material físico era transformado em resíduo e enviado para reciclagem, sendo convertido em itens como papel higiênico ou caixas de papelão.

A escala da operação era expressiva: a Anthropic buscava converter entre 500 mil e 2 milhões de livros em períodos de seis meses. De acordo com as investigações, a estratégia tinha o objetivo de ensinar a inteligência artificial a escrever com qualidade, evitando o aprendizado baseado em textos de baixa qualidade da internet.

Como funcionava o Project Panama?

Além da digitalização física, os autos do processo indicam que o cofundador da empresa, Ben Mann, teria baixado conteúdos protegidos por meio de uma biblioteca digital não autorizada. Constam no processo capturas de tela que mostram o uso de serviços para obtenção de obras sem licença.

Documentos judiciais apontam ainda que o executivo teria compartilhado links para catálogos de livros obtidos ilegalmente com outros colegas da companhia. O plano era mantido em sigilo, com diretrizes internas para que a operação não fosse descoberta.

Qual o desfecho do caso?

O grupo de autores responsável pela ação coletiva é liderado pela romancista Andrea Bartz e pelos escritores Charles Graeber e Kirk Wallace Johnson. O acordo bilionário, alcançado no mês passado (julho), prevê a compensação de cerca de 500 mil obras elegíveis.

Justin Nelson, advogado do caso, afirmou que o pagamento de US$ 1,5 bilhão representa a maior recuperação de direitos autorais já registrada na história. O caso da Anthropic ocorre em um cenário de pressão jurídica crescente sobre o setor de tecnologia.

Outras grandes empresas do setor de inteligência artificial, como Google, Microsoft, Meta e OpenAI, também enfrentam ações judiciais semelhantes por questões relacionadas ao uso de conteúdo protegido para treinamento de modelos generativos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.