Pesquisadores descobrem nova família de besouros fósseis que viveu no Ceará há 113 milhões de anos
Estudo com fósseis da Formação Crato revela linhagem do grupo Archostemata, inédita na América do Sul.
Por Redação Diário Local
Pesquisadores do Brasil e da Alemanha identificaram uma nova linhagem de besouros que viveu há cerca de 113 milhões de anos na região onde hoje se localiza o Nordeste brasileiro. A descoberta foi feita a partir de fósseis encontrados na Formação Crato, no Ceará, e resultou na descrição de uma nova família extinta de insetos.
Os exemplares pertencem à coleção do Museu de Zoologia (MZ) da Universidade de São Paulo (USP). Por meio da técnica de microtomografia computadorizada, os cientistas conseguiram reconstruir os fósseis em três dimensões e visualizar partes da anatomia que permaneciam escondidas no interior da rocha.
O estudo descreve três espécies de besouros do grupo Archostemata. Esta é a primeira vez que representantes desse grupo são registrados na Formação Crato e na América do Sul. Uma das espécies, denominada Cratocupes scabrosus, apresentou características tão distintas que motivou a criação da família Cratocupedidae.
Como a tecnologia revelou os detalhes dos fósseis?
Como grande parte das estruturas anatômicas fundamentais para a identificação dos besouros ficava na região ventral (parte inferior do corpo), os pesquisadores utilizaram a microtomografia computadorizada. A técnica funcionou como uma "escavação digital", permitindo a reconstrução tridimensional dos espécimes sem a necessidade de retirar fisicamente a rocha.
Com o método, foi possível observar estruturas como partes das pernas, do tórax e das peças bucais. A aplicação dessa tecnologia na análise de insetos fósseis preservados em rochas ainda é pouco comum e permitiu acessar detalhes que métodos tradicionais não alcançariam.
A Formação Crato, localizada na Bacia do Araripe, é reconhecida internacionalmente pela qualidade da preservação de seus fósseis. Os depósitos de calcário da região guardam registros de organismos que viveram durante o período Cretáceo, conservando detalhes anatômicos raros.
A origem do grupo de besouros
As análises indicam que a linhagem Archostemata surgiu há mais de 300 milhões de anos, entre o fim do período Carbonífero e o início do Permiano, fase anterior ao surgimento dos dinossauros. No cenário atual, o grupo possui menos de 50 espécies vivas em todo o planeta.
A nova espécie, Cratocupes scabrosus, recebeu o nome devido à referência à Formação Crato e ao termo latino para "áspero", que descreve as protuberâncias rugosas de seu corpo. A descoberta preenche uma lacuna no registro fóssil, comprovando que essas linhagens habitavam os ecossistemas tropicais da América do Sul durante o Cretáceo.
