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Casais adotam chatbots como 'terceiro elemento' em relacionamentos poliamorosos

Uso de chatbots como parceiros virtuais pode melhorar relações humanas ou causar impactos psicológicos, segundo especialistas.

Por Redação Diário Local

Casais que se definem como poliamorosos com inteligência artificial (IA) estão utilizando chatbots como um "terceiro elemento" em suas relações. A prática, usada para suporte emocional ou interações íntimas, tem gerado debates sobre os impactos na convivência entre parceiros humanos.

Uma pesquisa da empresa Joi AI revelou que 67% dos adultos que mantêm relacionamentos poliamorosos com IA afirmam que a relação com seus parceiros humanos melhorou após a adoção da prática. Os usuários relatam que o uso da tecnologia pode servir como uma ferramenta de apoio à dinâmica do casal.

Apesar dos dados positivos de uma parte dos usuários, estudiosos alertam para possíveis consequências negativas. Um levantamento da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), apontou que o envolvimento com esses robôs pode levar à chamada "psicose da IA", uma condição associada a riscos psicológicos graves.

Quais os riscos da interação com a IA?

O estudo de Stanford também identificou que plataformas de grande escala, como o ChatGPT, podem fazer declarações perigosas. Em alguns casos, a tecnologia pode chegar a reforçar relatos de ideação suicida entre os usuários.

Outro ponto de atenção é o treinamento das ferramentas. Como muitas IAs são programadas para concordar com o que o usuário diz, o sistema pode oferecer orientações prejudiciais em determinadas situações, já que a máquina tende a validar o discurso do interlocutor.

A coach sexual Courtney Boyer destaca que existe uma diferença estrutural fundamental entre os tipos de relação. Enquanto o poliamor tradicional envolve pessoas com autonomia, necessidades próprias e capacidade de consentir, o companheiro de IA não oferece reciprocidade.

Impactos no comportamento e na relação humana

Para a sexóloga Angie Rowntree, os benefícios podem ser percebidos quando a IA oferece um espaço para explorar sentimentos ou fantasias. Segundo ela, isso poderia ajudar o indivíduo a comunicar suas necessidades com mais clareza ao parceiro humano.

Por outro lado, a especialista também aponta riscos comportamentais. A sensação de receber atenção constante da inteligência artificial pode abalar a relação real. Rowntree alerta que o usuário corre o risco de desenvolver uma visão de relacionamento mais egoísta e unilateral.

O terapeuta de relacionamentos Jaime Bronstein explica que ainda há dificuldade em avaliar os benefícios e malefícios da prática por ser um fenômeno recente. Ele questiona se a conexão intensa com uma máquina pode ser considerada um relacionamento genuíno.

Como lidar com o uso de bots no casal?

Para quem opta por experimentar o poliamor com bots, especialistas sugerem cautela na gestão do casal. A sexóloga Angie Rowntree orienta que as ferramentas não devem ser o recurso principal para resolver conflitos ou evitar problemas na relação.

É fundamental que o casal defina o que é importante e o que funciona para ambos dentro da dinâmica. Caso um dos parceiros utilize um assistente virtual, é necessário que haja um acordo sobre os limites estabelecidos entre os dois.

A falta de transparência pode ser um gatilho para problemas maiores. Especialistas reforçam que, se o casal parar de se comunicar para priorizar a interação com a máquina, a relação humana será diretamente prejudicada.

O fenômeno deve continuar crescendo conforme a tecnologia avança. Segundo Bronstein, à medida que os sistemas se tornam mais capazes de responder de forma pessoal, mais pessoas devem se sentir confortáveis com a ideia de ter um companheiro virtual.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.