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Checagem

Checagem aponta que afirmações de Renan Santos sobre terras raras contêm erros e um dado correto

Verificação analisa declarações do candidato Renan Santos sobre reservas e processamento de minerais nos EUA e no Brasil

Por Redação Diário Local

Declarações feitas pelo candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, durante entrevista realizada nesta quarta-feira (26), sobre o mercado de terras raras contêm informações falsas e uma afirmação correta. O candidato abordou a questão das reservas minerais dos Estados Unidos e do Brasil, além do domínio chinês no setor.

Santos afirmou que os Estados Unidos não possuem terras raras em seu território, nem realizam a extração ou o processamento desses elementos químicos. No entanto, a informação é falsa de acordo com dados de órgãos internacionais.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indica que o território americano possui 1,9 milhão de toneladas de óxidos de terras raras. Os elementos são essenciais para a fabricação de tecnologias como smartphones, TVs e veículos elétricos.

A extração também é uma realidade no país, com destaque para a empresa MP Materials. A companhia opera a mina e refinaria Mountain Pass, na Califórnia, e realiza o processamento do material.

Dados enviados pela empresa à Securities and Exchange Commission (SEC) mostram que a MP Materials produziu 50.692 toneladas de óxidos de terras raras em 2025. A empresa também opera uma fábrica de ímãs no Texas.

Em outro trecho da entrevista, o candidato declarou que o Brasil dispõe das segundas maiores reservas globais de terras raras. Esta afirmação é considerada um fato.

Segundo o boletim mais recente do USGS, divulgado em fevereiro, o Brasil possui uma reserva de 11 milhões de toneladas desses elementos. O volume posiciona o país como o segundo maior detentor mundial do recurso.

A reserva brasileira é superada apenas pela China, que detém 44 milhões de toneladas. O estoque do Brasil é superior ao de países como Austrália (6,3 milhões), Rússia (3,8 milhões) e Vietnã (3,5 milhões).

A China detém todo o processamento mundial?

Renan Santos também sustentou que a China deixou o mundo inteiro sob seu controle no que diz respeito ao processamento de terras raras. A afirmação é considerada imprecisa, pois, embora a China seja dominante, ela não possui o monopólio total.

De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), publicado em maio, a China responde por 85% de todo o refino desses elementos, com base em dados de 2025.

O documento aponta que o país é o principal motor da diversificação do refino fora do território chinês, mas ainda mantém uma liderança expressiva no mercado global.

A participação chinesa no setor deve sofrer variações nos próximos anos. A projeção da agência é que esse percentual caia para 73% até o ano de 2035.

Em um segundo cenário de expansão internacional, a participação da China pode chegar a 70%. Isso ocorreria caso todos os projetos globais anunciados entrem em operação nos próximos dez anos.

As terras raras são fundamentais para a indústria de defesa e para a transição energética. O uso desses minerais é vital para a produção de turbinas eólicas e equipamentos de tecnologia avançada.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.