Estudo mostra que data centers geram pouco impacto na criação de empregos locais
Pesquisa indica que novas instalações geram entre 1.000 e 1.300 vagas fora do centro de dados, mas em setores específicos e após anos.
Por Redação Diário Local
A instalação de centros de dados (data centers) gera um impacto reduzido na criação de empregos nas comunidades onde são construídos, de acordo com um estudo sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. A pesquisa mostra que, embora as instalações demandem investimentos massivos em terrenos, prédios e infraestrutura de energia, o número de vagas diretas costuma se limitar a algumas dezenas de funcionários.
O levantamento analisou 1.584 data centers inaugurados entre os anos de 2000 e 2023 no país. Os resultados indicam que o crescimento de postos de trabalho fora das próprias instalações não é imediato e apresenta características específicas de setor e tempo de maturação.
De acordo com o estudo, nos primeiros dois anos após a inauguração do primeiro centro de dados em uma localidade, observa-se pouca mudança no mercado de trabalho, com exceção do setor de construção civil. O efeito econômico mais relevante só começa a ser percebido entre três e cinco anos após o início das operações.
Nesse intervalo de três a cinco anos, as localidades que receberam os centros apresentaram uma média de 1.000 a 1.300 empregos adicionais fora do setor de construção, quando comparadas a municípios com perfil semelhante que não receberam os investimentos.
O estudo detalha que o impacto na empregabilidade ocorre de três maneiras principais. Primeiro, pelo aumento da demanda por fornecedores locais, como empresas de segurança e prestadores de serviços elétricos para manutenção.
Em segundo lugar, pelo potencial gasto dos funcionários e trabalhadores de fornecedores em serviços locais. Em terceiro, pela expansão de empresas que já operam na região ou pela atração de novos investimentos devido à infraestrutura de fibra óptica e eletricidade já disponível.
Perfil das novas vagas
Os novos postos de trabalho não se distribuem de forma equilibrada pela economia local. O aumento observado concentra-se nos segmentos de transporte e armazenagem, serviços profissionais e técnicos, além do setor imobiliário.
Essas áreas são as que atendem diretamente às necessidades operacionais dos data centers ou se beneficiam da infraestrutura tecnológica instalada. Por outro lado, a pesquisa não encontrou evidências de crescimento de vagas em restaurantes, lojas ou outros serviços de varejo.
O tamanho da instalação também influencia o volume de contratações. O estudo observou que instalações maiores geram ganhos de emprego proporcionalmente superiores, embora não de forma linear.
Para cada megawatt de capacidade instalado, estima-se uma associação de cerca de 2,7 empregos fora do setor de construção, considerando as expansões de capacidade que ocorrem nos anos seguintes à instalação inicial.
Uma instalação de 100 megawatts, por exemplo, estaria correlacionada a aproximadamente 275 empregos locais adicionais além das funções exercidas dentro do próprio centro de dados.
Custos para as comunidades
Apesar da criação de empregos, o estudo levanta dúvidas se o saldo econômico para as comunidades é de fato positivo. O crescimento das vagas é apenas um lado da equação financeira das cidades.
As instalações de data centers consomem quantidades elevadas de eletricidade e água, além de poderem gerar poluição sonora. Outro ponto de atenção é o uso de incentivos fiscais substanciais concedidos por governos locais e estaduais para atrair esses projetos.
O ceticismo quanto aos benefícios locais tem gerado resistência à construção desses centros em diversos estados norte-americanos. Essa oposição contribuiu para atrasos ou cancelamentos de projetos que somaram US$ 156 bilhões apenas em 2025.
