Extinção causada por vulcanismo foi maior que a dos dinossauros, explica especialista
Evento ocorrido há 252 milhões de anos eliminou 90% das espécies marinhas e superou o impacto do asteroide
Por Redação Diário Local
A extinção dos dinossauros, causada pelo impacto de um asteroide, não foi o episódio mais devastador da história da vida na Terra. A maior extinção em massa registrada ocorreu há cerca de 252 milhões de anos, durante o período Permiano–Triássico, quando o vulcanismo e o aquecimento global eliminaram cerca de 90% das espécies marinhas.
Segundo o paleontólogo Julian Silva Junior, da Universidade de São Paulo (USP), um evento é classificado como extinção em massa quando pelo menos 75% das espécies do planeta desaparecem em um intervalo de tempo considerado curto pela geologia. Esses episódios têm alcance global e promovem uma reorganização profunda dos ecossistemas.
Ao longo dos 4,5 bilhões de anos de existência do planeta, ocorreram cinco grandes crises que transformaram a vida. Além do evento que eliminou os dinossauros há 66 milhões de anos, as outras incluem os períodos Ordoviciano–Siluriano, Devoniano tardio e Triássico–Jurássico.
O que define uma extinção em massa?
Para a ciência, a rapidez de um evento geológico pode variar de alguns anos até centenas de milhares de anos. Além da perda numérica de espécies, esses processos afetam diferentes grupos de organismos e mudam a estrutura da vida no ambiente.
A pesquisadora Flavia Callefo, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que não existe uma causa única para todos os episódios. As mudanças climáticas costumam atuar em conjunto com outros fatores, como grandes erupções vulcânicas e alterações químicas nos oceanos.
Grandes erupções podem liberar volumes massivos de dióxido de carbono, alterando o clima e reduzindo o oxigênio disponível na água, o que compromete a sobrevivência marinha. O impacto de asteroides é citado como uma exceção rara, ocorrendo principalmente no fim do período Cretáceo.
Como a vida se recupera?
A recuperação dos ecossistemas após uma crise ambiental não é imediata e não restaura o planeta ao seu estado anterior. Novas espécies evoluem para ocupar os espaços deixados pelos grupos extintos, mas o cenário biológico é sempre transformado.
De acordo com Callefo, os ecossistemas iniciam sua reorganização entre dezenas e centenas de milhares de anos após a crise. O processo de surgimento de novas espécies pode levar de 1 a 10 milhões de anos, enquanto a retomada de níveis de biodiversidade semelhantes aos anteriores pode exigir entre 10 e 30 milhões de anos ou mais.
