Golpe do Pix em lojas virtuais atinge 90 estabelecimentos e desvia pagamentos
Esquema substitui o código de pagamento por um fraudulento e direciona o dinheiro para golpistas sem o registro no comércio.
Por Redação Diário Local
Um novo golpe envolvendo pagamentos via Pix em compras pela internet já atingiu pelo menos 90 lojas virtuais de pequeno e médio porte no Brasil. O esquema consiste na substituição do código Pix original, gerado no momento do pagamento, por um código fraudulento que direciona o dinheiro diretamente para contas de criminosos, sem que o lojista receba o valor.
A fraude foi identificada por meio de uma investigação da empresa de cibersegurança Kaspersky. O golpe explora vulnerabilidades em sites de comércio eletrônico e afeta diversos segmentos, como autopeças, óticas, vestuário e moda, além de plataformas de arrecadação virtual, as chamadas "vaquinhas".
Um ponto em comum entre os sites vitimados foi o uso da Magento, uma plataforma de comércio eletrônico de código aberto. Especialistas alertam que a falta de manutenção e de atualizações de segurança adequadas no sistema permite que invasores explorem brechas e assumam o controle sobre as páginas de compra.
O esquema é considerado "silencioso" porque, para o lojista, a compra aparece apenas como "abandonada" ou pendente no sistema oficial. O consumidor geralmente só percebe que foi vítima do golpe quando tenta contatar o e-commerce para reclamar sobre atrasos na entrega ou problemas no envio.
Durante esse intervalo, os criminosos podem pulverizar os valores roubados em diversas contas de "laranjas". Essa prática dificulta a recuperação do dinheiro por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, mesmo com o uso do sistema MED 2.0, que permite rastrear e bloquear valores enviados para outras contas.
O que fazer ao identificar o golpe?
O consumidor lesado deve entrar em contato imediatamente com seu banco ou instituição de pagamento para informar a fraude e solicitar o acionamento do MED. O ideal é também registrar um boletim de ocorrência e reunir todos os comprovantes da transação, como nota fiscal, comprovante de pedido e e-mails.
Ao acionar o mecanismo do Banco Central, o banco que recebeu o dinheiro realiza o bloqueio imediato do valor. As instituições financeiras envolvidas têm até sete dias para avaliar a situação. A devolução do dinheiro pode ocorrer se a fraude for constatada, mas depende da existência de saldo nas contas dos golpistas.
Além do suporte bancário, o cliente pode recorrer ao Procon, ao Sedecon ou acionar o Poder Judiciário. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, os fornecedores são responsáveis pelos danos causados aos clientes na prestação de serviços. Na prática, o consumidor precisa comprovar que houve uma falha no serviço que resultou no prejuízo financeiro.
