Demanda por inteligência artificial encarece chips e ameaça margens de lucro da Apple
Aumento de 550% no preço da memória flash impulsionado pela IA muda poder de negociação entre Apple e fornecedores
Por Redação Diário Local
A crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA) provocou uma alta de 550% nos preços da memória flash, o tipo de chip utilizado para armazenar dados em dispositivos como o iPhone. O movimento altera o poder de negociação entre a Apple e seus fornecedores, ameaçando as margens de lucro da fabricante de eletrônicos.
Segundo dados da consultoria TechInsights, a busca de gigantes da computação em nuvem por componentes para IA fez os preços da memória flash multiplicarem por cinco no último ano. O cenário inverteu a lógica histórica de mercado: enquanto a Apple costumava dominar as negociações devido ao seu volume de compras, hoje os grandes grupos de tecnologia compram o dobro da fatia que a empresa detém.
Por que o preço dos chips subiu?
O salto nos custos é impulsionado pela necessidade de grandes empresas de tecnologia garantirem o suprimento para centros de processamento de dados voltados à IA. Empresas como Meta, Microsoft e Amazon já assinaram contratos com fabricantes, como a Kioxia, para garantir o fornecimento de longo prazo, mesmo com preços mais elevados.
Historicamente, a Apple utilizava sua posição como maior compradora mundial para pressionar os fabricantes de memória. A companhia conseguia preços muito baixos, chegando a custar US$ 0,05 por gigabyte em 2023, enquanto o valor atual ultrapassa os US$ 0,30 por gigabyte devido à nova dinâmica do setor.
A mudança no equilíbrio de forças é confirmada por analistas do setor, que observam uma maior satisfação entre os fornecedores de componentes, que agora possuem maior capacidade de cobrar valores condizentes com a alta demanda global.
Quais os impactos para o consumidor?
A escalada nos custos dos componentes deve pressionar o preço final dos dispositivos da Apple. Analistas indicam que o custo de armazenamento adicional para os usuários subiu drasticamente. No último ano, a Apple cobrava US$ 200 para dobrar a capacidade de armazenamento de um modelo base; o custo interno do componente para a empresa, que era de US$ 15, saltou para US$ 66.
Recentemente, a empresa já aplicou reajustes em sua linha de produtos, com uma média de 13% de aumento nos preços dos iPhones. O desafio da fabricante agora é entender se o público continuará comprando os aparelhos no ritmo habitual diante de custos de armazenamento cada vez mais altos.
A Apple deve gastar cerca de US$ 25 bilhões em memória flash este ano para adquirir volumes similares aos comprados em 2025, quando o gasto foi de US$ 6 bilhões, de acordo com as estimativas da TechInsights.
