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Tecnologia

IA desenvolvida no Brasil e na Suécia ajuda médicos a identificar local de infarto

Ferramenta de inteligência artificial analisa eletrocardiogramas para identificar o ponto exato de obstrução nas artérias cardíacas.

Por Redação Diário Local

Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida em colaboração entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Uppsala, na Suécia, tem a capacidade de identificar o tipo mais letal de infarto. O sistema analisa dados digitais de eletrocardiogramas (ECG) para detectar a obstrução aguda e indicar o local exato onde a artéria está bloqueada.

O modelo é o primeiro validado em população brasileira capaz de localizar infartos por oclusão coronariana utilizando apenas o exame de 12 derivações, que é um procedimento rápido e de baixo custo. A tecnologia ajuda a identificar padrões que podem passar despercebidos na análise visual humana.

Como a ferramenta auxilia no diagnóstico?

A agilidade é o fator principal para o sucesso do tratamento. Em casos de infarto agudo do miocárdio, a obstrução total da artéria impede a passagem de oxigênio, o que pode causar a morte irreversível do músculo cardíaco. A inteligência artificial visa reduzir o tempo de resposta das equipes médicas.

Em situações de emergência, como em ambulâncias, a tecnologia pode oferecer mais segurança para a aplicação de medicamentos trombolíticos, que servem para desobstruir a artéria. O uso desses remédios é delicado, pois pode gerar efeitos colaterais graves, como o acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, e a IA ajuda a avaliar se o benefício supera o risco.

A expectativa é que, no futuro, o sistema consiga analisar os dados em tempo real. Isso permitiria o reconhecimento precoce de pacientes que necessitam de cateterismo urgente para restaurar o fluxo sanguíneo.

Quais os desafios do exame tradicional?

Identificar um infarto nem sempre é simples, pois muitos casos graves não apresentam no eletrocardiograma o chamado "supradesnivelamento do segmento ST" (supra-ST), que é o marcador clássico do diagnóstico. Sem esse sinal, os médicos precisam recorrer a outros exames e informações clínicas, o que consome tempo precioso.

A inteligência artificial consegue revelar sinais sutis que podem não ser vistos no traçado convencional. Em casos onde as alterações do exame são bem definidas, o sistema atinge 96% de assertividade. Já em cenários onde os sinais não estão evidentes, a ferramenta conseguiu distinguir a oclusão em 82% das avaliações.

Apesar da precisão, os desenvolvedores ressaltam que a IA funciona como um apoio e não substitui o julgamento do médico. A decisão final sobre a conduta terapêutica e o diagnóstico permanecem sob responsabilidade da equipe assistencial.

Como foi feito o treinamento do modelo?

O modelo foi treinado com 540.372 exames de eletrocardiogramas de 225.884 pacientes atendidos em serviços de emergência na Suécia. Os resultados foram correlacionados com exames de angiografia coronariana (cateterismo cardíaco), que é o padrão-ouro para confirmar a localização da obstrução.

A validação ocorreu também com um grupo de 401 pacientes atendidos no Instituto do Coração (InCor-USP) entre 2017 e 2024. Além disso, os pesquisadores utilizaram dados públicos da Europa e um banco de dados da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para conferir a eficácia do sistema em diferentes populações.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.