Uso de inteligência artificial pode causar perda de habilidades em profissionais, diz pesquisa
Pesquisa com executivos aponta receio de que o uso de IA reduza capacidades como pensamento criativo e resolução de problemas.
Por Redação Diário Local
Mais de 60% dos altos executivos consultados em uma pesquisa da consultoria BCG acreditam que a utilização da inteligência artificial (IA) pode gerar uma perda de habilidades significativas nos próximos anos. Entre as capacidades que podem ser afetadas estão o pensamento criativo e a resolução analítica de problemas.
O cenário de transição para o uso de ferramentas inteligentes divide opiniões entre os líderes do setor. Enquanto alguns veem um risco de atrofia de competências, outros enxergam uma necessidade de requalificação profissional.
Quais são os riscos para os profissionais?
O receio de que o uso excessivo de tecnologia prejudique o julgamento humano é considerado legítimo por especialistas. O CSO da Globalsys, Eduardo Glazar, afirma que, ao delegar partes difíceis do trabalho para as máquinas, o profissional para de exercitar a própria capacidade decisória. Segundo o executivo, uma habilidade que deixa de ser usada pode sofrer atrofia, atingindo inclusive profissionais experientes que perdem a autonomia por não tomarem mais decisões sozinhos.
Em contrapartida, Frederico Comério, CTO e head de IA da Intelliway, enxerga o movimento menos como uma perda e mais como um processo de reskilling, termo utilizado para o aprendizado de novas habilidades e competências necessárias para o novo contexto tecnológico.
Oportunidades e transição no mercado
A tecnologia também é vista como uma ferramenta de mudança de paradigma. Paulo Baraona, presidente da Findes, destaca que a ferramenta modifica a execução do trabalho ao mesmo tempo que possibilita o surgimento de novas carreiras. Na mesma linha, o vice-presidente da Associação dos Empresários da Serra (Ases), Rafael Ribeiro, aponta que o alinhamento das ferramentas às necessidades de negócio contribui para processos mais eficientes e equipes focadas em atividades de maior valor agregado.
Para Ribeiro, o ponto central será conduzir essa mudança por meio de diálogo, planejamento e segurança jurídica e operacional para os envolvidos.
Desafios na adoção da IA
Apesar do avanço, a implementação prática da tecnologia enfrenta obstáculos de rentabilidade. Um estudo da consultoria McKinsey, publicado no fim de abril, revelou que, embora quase nove em cada dez empresas utilizassem IA em alguma função de negócio até o fim de 2025, 94% delas relataram não ter obtido benefícios relevantes com os investimentos realizados.
O levantamento da consultoria indica que apenas fornecer as ferramentas aos funcionários não é suficiente, exigindo que as empresas repensem seus modelos de trabalho. Atualmente, o foco corporativo tem migrado da simples adoção para a busca por projetos que entreguem retorno mensurável e redução de custos, especialmente na escolha de modelos de linguagem (LLMs) mais baratos.
