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Tecnologia

Uso de inteligência artificial sem planejamento pode elevar custos de empresas, afirma executiva

Adoção de IA sem objetivos claros pode substituir eficiência por novas despesas em vez de gerar produtividade, alerta executiva.

Por Davy Albuquerque

A incorporação de inteligência artificial (IA) aos modelos de negócio pode aumentar os gastos corporativos em vez de elevar a produtividade caso a tecnologia seja adotada sem planejamento estratégico. O alerta foi feito pela vice-presidente de Operações e Clientes da Druid, Michele Bastos Lage Ferreira.

Segundo a executiva, organizações que implementam a IA apenas para seguir uma tendência de mercado tendem a substituir um tipo de custo por outro, sem capturar ganhos de eficiência reais. Para ela, o erro central é focar na ferramenta tecnológica antes de compreender quais problemas precisam ser resolvidos e quais resultados o negócio pretende alcançar.

Em entrevista realizada em Brasília na quarta-feira (9), Michele Ferreira detalhou que o foco deve estar no propósito do uso da ferramenta. A especialista defende que a prioridade deve ser o entendimento do "porquê" e do "para que" a tecnologia será aplicada, e não apenas o "como".

Como aproveitar o potencial da IA?

Para a executiva, a revisão de processos antigos é uma condição indispensável para o sucesso da implementação. Ela observa que muitas companhias continuam operando com práticas que fizeram sentido no passado, mas que não agregam mais valor ao cenário atual.

A modernização de sistemas legados — tecnologias mais antigas que ainda sustentam operações — também foi apontada como um desafio crítico. Setores como telecomunicações, indústria, varejo e agronegócio enfrentam dificuldades para substituir essas plataformas, o que exige planejamento para garantir a continuidade das operações.

No que diz respeito ao capital humano, a visão da executiva é de que a IA deve servir para ampliar a capacidade das pessoas e não para substituí-las. A proposta é automatizar tarefas repetitivas, liberando os profissionais para atividades que demandam análise, criatividade e solução de problemas.

Quais os desafios de infraestrutura no Brasil?

Ao analisar o cenário brasileiro, Michele Ferreira destacou limitações importantes de infraestrutura, com ênfase na escassez de data centers (centros de processamento de dados) locais. Ela defendeu o avanço de iniciativas que ampliem essa capacidade tecnológica no país.

Para acelerar a transformação digital, a especialista recomendou que as empresas busquem parceiros estratégicos em vez de apenas fornecedores de tecnologia. Segundo a executiva, a tecnologia deve ser tratada como um meio para resolver problemas reais de pessoas reais, e não como um fim em si mesma.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.