Inteligência artificial reduz emprego de jovens em setores de tecnologia e finanças, aponta estudo
Análise da Universidade de Stanford mostra queda de 12,8% no emprego em áreas expostas à IA, como finanças e software.
Por Redação Diário Local
O avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA) tem provocado mudanças estruturais no mercado de trabalho, com impactos mais severos em nichos de alta qualificação. Uma análise da Universidade de Stanford, na Califórnia, indica que o nível de emprego entre jovens de 22 a 25 anos recuou 2,7% desde a popularização do ChatGPT.
O fenômeno é mais acentuado em setores tecnologicamente expostos à automação. Nas áreas de finanças, desenvolvimento de software e indústrias criativas, a queda no nível de ocupação chega a 12,8%, segundo os dados da instituição estadunidense. Economistas alertam que o mundo precisa agir para garantir que a tecnologia eleve os padrões de vida em vez de causar deslocamento de trabalhadores em larga escala.
A capacidade de execução dos grandes modelos de linguagem (LLMs) cresceu em velocidade. Há três anos, essas ferramentas realizavam tarefas que humanos completavam em segundos ou minutos. Atualmente, elas são capazes de executar processos complexos que demandam cerca de uma hora de trabalho humano, como a identificação de falhas em contratos de criptomoedas.
Como a capacidade técnica da IA tem evoluído?
Atualmente, os modelos já conseguem desenvolver e otimizar o próprio código de software. A previsão é que a próxima geração de modelos consiga realizar o desenvolvimento integral de sistemas de forma autônoma em breve. Esse padrão de evolução já começa a ser observado em análises financeiras e trabalhos jurídicos preliminares.
Além da programação, o impacto se estende a funções de nível inicial na indústria criativa. No Reino Unido, empresas relataram dificuldades para encontrar competências específicas à medida que a IA transforma as exigências do mercado. A organização para a cooperação e desenvolvimento econômico (OCDE) aponta que setores como telemarketing e serviços jurídicos são os mais expostos a essas mudanças.
Por que o uso de agentes de IA pode ser caro para as empresas?
Muitas grandes corporações estão investindo em 'agentes de IA' — trabalhadores virtuais encarregados de funções específicas — para buscar estabilidade e redução de custos com pessoal. O consumo dessas ferramentas é medido em tokens, que são fragmentos de texto usados para processar e gerar linguagem.
Em 2026, o uso de IA apresentou um crescimento expressivo, mas o volume de tokens consumidos superou a queda no custo por unidade. Esse desequilíbrio gerou contas astronômicas, levando diversas empresas a adotarem o racionamento do uso desses modelos mais avançados para evitar gastos insustentáveis.
O alto custo operacional levanta a hipótese de que os trabalhadores virtuais podem acabar saindo mais caros que os humanos, dependendo da tarefa. Como alternativa, observa-se uma migração de empresas para modelos de IA mais baratos, muitas vezes derivados de tecnologias disponibilizadas gratuitamente no mercado, visando equilibrar produtividade e orçamento.
