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Tecnologia

Juiz dos EUA permite demissões na Meta apesar de processo sobre uso de IA

Justiça dos Estados Unidos rejeitou pedido de funcionários que alegavam que ferramentas de inteligência artificial foram usadas para selecionar cortes.

Por Davy Albuquerque

Um juiz distrital dos Estados Unidos rejeitou, nesta sexta-feira (18), um pedido de 26 funcionários da Meta para impedir a realização de demissões em massa na companhia. Os trabalhadores buscam reparação judicial alegando que foram alvo de cortes de pessoal devido ao uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) que teriam prejudicado quem estava em licença médica ou com deficiências.

O magistrado William Orrick, de Oakland, na Califórnia, afirmou em decisão escrita que não impedirá a Meta de prosseguir com os desligamentos a partir de quarta-feira (22). Segundo o juiz, os trabalhadores não demonstraram que a perda dos empregos constituiria um 'dano irreparável' suficiente para uma ordem de emergência, enquanto o mérito das alegações é decidido em arbitragem privada.

A Meta negou qualquer irregularidade no processo e afirmou que as decisões relativas às demissões em massa foram tomadas por humanos. Em maio, a empresa notificou cerca de 8 mil funcionários, o que representa aproximadamente 10% de sua força de trabalho global, sobre a perda de seus postos durante um período de intensificação de investimentos em inteligência artificial.

O processo judicial, aberto na segunda-feira (14), sustenta que a Meta utilizou ferramentas de IA para medir a produtividade e o uso de 'tokens' de IA na seleção dos cargos a serem cortados. De acordo com a ação, isso prejudicou funcionários que se ausentaram do trabalho para cuidar de familiares ou por questões de saúde.

Os autores da ação detalharam que a empresa utilizou sistemas internos para classificar os colaboradores em uma lista de demissão. Entre as tecnologias citadas está o 'Metamate', um assistente de modelo de linguagem que monitoraria comunicações e documentos internos. O processo alega ainda que a análise de digitação, conteúdo de tela e histórico de navegador foram usados para gerar pontuações de produtividade.

A equipe de advogados dos demandantes argumentou que, além dos salários, os trabalhadores correm o risco de perder planos de saúde e opções de ações, o que comprometeria tratamentos médicos em curso. A representação da Meta, contudo, argumentou que os funcionários estariam perdendo apenas o seguro subsidiado pelo empregador, e não a cobertura integral, tratando-se de danos que poderiam ser recuperados caso vençam a arbitragem.

O que alegam os trabalhadores?

Os funcionários, que incluem engenheiros, gerentes, pesquisadores e designers, afirmam que os sistemas de IA não foram suspensos durante períodos de licença legalmente protegida. Como resultado, os índices de adoção de IA desses colaboradores caíram, impactando negativamente as avaliações de desempenho usadas para a seleção dos cortes.

A maioria dos trabalhadores de grandes empresas assina contratos de arbitragem, que exigem que disputas sejam resolvidas individualmente em vez de por meio de ações coletivas. Embora os advogados tenham buscado uma medida cautelar para contornar essa regra, o juiz deve se pronunciar sobre o pedido de tutela antecipada apenas no próximo mês.

Próximos passos do caso

Os desligamentos devem ser finalizados para muitos trabalhadores a partir de quarta-feira (22), com outros processos ocorrendo ao longo de julho ou agosto. De acordo com documentos judiciais, a maioria dos afetados perdeu o acesso aos sistemas da empresa em 20 de maio (segunda-feira), embora ainda constem na folha de pagamento.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.