Expansão da inteligência artificial deve impulsionar mercado de data centers no Brasil
Setor deve crescer nos próximos 5 a 10 anos com maior demanda por processamento de dados, afirma executivo da Schneider Electric
Por Redação Diário Local
O mercado de data centers deve seguir em expansão nos próximos 5 a 10 anos devido ao avanço da inteligência artificial sem precedentes. O crescimento da demanda por infraestrutura de processamento deve abrir espaço para novos investimentos no Brasil, conforme aponta Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul.
A expansão do setor tem impacto direto nos negócios da companhia, que fornece componentes como sistemas de distribuição elétrica, nobreaks, estruturas para servidores e equipamentos de refrigeração. Segundo Segrera, o segmento, que representava menos de 10% das atividades da Schneider há cinco anos, hoje aproxima-se de 30%.
Por que a inteligência artificial impulsiona o setor?
O aumento da capacidade de processamento é necessário para sustentar a digitalização de governos e empresas, além da adoção de sistemas de inteligência artificial. Para atender a essa necessidade, os chips devem ser alocados em racks que demandam infraestrutura física dedicada.
A Schneider Electric projeta um crescimento anual superior a 10% para o mercado de data centers e redes até o ano de 2030. O executivo observa que, embora a América Latina ainda não tenha registrado o mesmo volume de aportes visto na Ásia, Europa e Estados Unidos, o Brasil possui condições técnicas e naturais para atrair novos projetos.
Contudo, Segrera destaca que o mercado busca transparência e regras claras para operar, priorizando a segurança jurídica em vez de apenas incentivos financeiros.
Desafios na rede elétrica e tributação
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) afirma que a participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira é um fator de atração para projetos, mas alerta para a necessidade de reforços na rede de transmissão. A conexão de grandes consumidores exigirá ampliações para suportar a demanda.
A EPE estuda a realização de obras para atender projetos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí e Rio Grande do Sul. Em termos de volume, os pedidos de conexão de data centers ao sistema elétrico subiram de 19,8 gigawatts, em setembro de 2025, para 26,2 gigawatts em novembro do mesmo ano.
No campo regulatório, o setor aguarda definições sobre o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter). A medida provisória que suspendia tributos federais na importação de equipamentos para o setor perdeu a validade em 25 de fevereiro de 2026. A Câmara aprovou o PL 278 de 2026, que retoma o programa, e a proposta segue agora para análise no Senado.
