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Pesquisa da PUC-Rio utiliza inteligência artificial para identificar peptídeos que não causam alergia

Estudo da PUC-Rio usa Inteligência Artificial Explicável para encontrar substâncias que evitam reações alérgicas em produtos de beleza

Por Davy Albuquerque

Pesquisadores do Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da PUC-Rio desenvolveram um método utilizando Inteligência Artificial Explicável para identificar quais peptídeos são mais seguros contra reações alérgicas. A técnica visa auxiliar no desenvolvimento de novos produtos cosméticos com maior segurança para o consumidor.

O estudo, publicado no periódico American Chemical Society, apresenta uma alternativa ao uso de testes em animais, prática que é proibida em todo o território nacional pela Lei 15.183 de 2025 para produtos de higiene pessoal, perfumes e cosméticos.

A pesquisa contou com o financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

O que são peptídeos e como atuam na pele?

Os peptídeos são pequenas sequências que fazem parte de uma proteína. No organismo, eles funcionam como mensageiros capazes de se comunicar diretamente com as células para estimular a produção de substâncias essenciais, como o colágeno, que traz firmeza à pele, e a elastina, responsável pela elasticidade.

Diferente de tratamentos tradicionais que utilizam retinol e ácidos — substâncias que podem causar descamação e reações alérgicas —, os peptídeos não alérgenos buscam uma comunicação mais estável com o sistema imunológico. Isso ajuda a evitar sintomas como coceira, vermelhidão e ardência, sendo uma opção para pessoas com peles ultrassensíveis ou com condições como rosácea.

Como funciona a Inteligência Artificial Explicável?

Diferente da inteligência artificial tradicional, que muitas vezes funciona como uma "caixa preta" de difícil compreensão, a versão "explicável" permite interpretar os processos internos para oferecer transparência nos resultados. O método não apenas classifica a probabilidade de um peptídeo causar alergia, mas também identifica as sequências específicas por meio de interpretadores de última geração.

Ao decifrar as sequências alérgenas, a tecnologia auxilia na criação de formulações de séruns, máscaras e cremes que respeitam a saúde celular e minimizam o risco de processos inflamatórios.

Quais as possíveis aplicações futuras?

A aplicação dos resultados obtidos pela equipe da PUC-Rio pode ultrapassar o setor de cosméticos. Segundo os pesquisadores, a ferramenta tem potencial para ser utilizada no futuro para evitar alergias alimentares.

Além disso, o método poderá ser aplicado em processos de imunoterapia para dessensibilização de pessoas alérgicas e no desenvolvimento de vacinas, visando evitar complicações de saúde.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.