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Economia

Inteligência artificial não causa queda de empregos na OCDE, mas dificulta entrada de jovens

Relatório da OCDE aponta que a tecnologia está transformando o trabalho em vez de reduzir postos, apesar de novos desafios para jovens.

Por Davy Albuquerque

O uso da inteligência artificial não está provocando uma queda generalizada no número de empregos nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo relatório sobre as perspectivas do emprego para 2026, a tecnologia está transformando o modelo de trabalho em vez de reduzir a oferta de postos, apesar de modificar as competências exigidas pelas empresas.

Atualmente, a taxa de desemprego nos países membros da OCDE está em 4,9%. O índice permanece próximo ao mínimo histórico de 4,8%, registrado em junho de 2023. As projeções da organização indicam que o emprego deve continuar em trajetória de crescimento, com alta de 0,3% para este ano e de 0,6% no próximo ano.

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, explicou que, até o momento, não há indícios de que o uso de inteligência artificial pelas empresas esteja enfraquecendo as perspectivas de emprego para os trabalhadores em geral ou para os jovens. Para o dirigente, a IA está alterando a demanda por certas habilidades, mas o impacto não resultou em perda de postos de trabalho.

Impacto nos jovens

Apesar do cenário geral positivo, o relatório destaca que a incorporação de jovens no mercado de trabalho tem sido um processo especialmente difícil. O documento aponta que os recentes avanços da inteligência artificial generativa provavelmente influenciam essa dificuldade de inserção dessa faixa etária.

A organização econômica monitora 38 países distribuídos entre as Américas, Europa, Ásia e Oceania. O estudo revela que o mercado de trabalho desses países demonstrou resiliência mesmo diante da guerra no Oriente Médio, que causou um forte aumento nos preços da energia global.

De acordo com Cormann, a criação de empregos se manteve sólida apesar dos efeitos do conflito internacional. Embora o número de vagas — que serve como um indicador antecipado da demanda por mão de obra — tenha diminuído desde o pico alcançado após a pandemia, os índices se estabilizaram desde a escalada do conflito.

Desafios salariais

O relatório também sinaliza que muitos trabalhadores ainda não percebem plenamente os benefícios de um mercado de trabalho dinâmico, especialmente no que diz respeito à remuneração. O cenário de crescimento do emprego não tem sido acompanhado de forma igualitária pelos ganhos reais.

Dados da organização mostram que, em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais permanecem inferiores aos níveis registrados há cinco anos. O estudo reforça a necessidade de observar como essa dinâmica de renda se comporta em meio às transformações tecnológicas e geopolíticas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.