Diário Local
Agronegócio

Árvore nativa bordão-de-velho melhora saúde do solo em pastagens

Pesquisa da Embrapa e do Cena-USP mostra que a espécie Samanea tubulosa aumenta o estoque de carbono e a estabilidade de microrganismos.

Por Redação Diário Local

Pesquisas da Embrapa e do Cena-USP (Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo) mostraram que a árvore bordão-de-velho (Samanea tubulosa) oferece vantagens ao ser utilizada em sistemas silvipastoris, que integram a produção pecuária com a florestal.

O uso da espécie promove o aumento da qualidade biológica do solo, que passa a estocar mais carbono e a manter comunidades de microrganismos mais estáveis e com maior variedade de espécies. A árvore é uma leguminosa nativa da América tropical e apresenta ampla adaptabilidade em diversas regiões do país.

Quais as vantagens para a pecuária?

Além de proporcionar sombra para o gado, o bordão-de-velho é capaz de fixar nitrogênio no solo e produzir frutos que são utilizados na alimentação animal. Ramos da planta também podem ser aproveitados para esse fim.

Embora o aproveitamento de madeira da espécie não seja tão vantajoso quanto o do eucalipto, os benefícios promovidos pela planta tornam o seu uso interessante para pecuaristas que buscam integração entre pastagens e florestas.

Onde a espécie é encontrada?

A Samanea tubulosa é encontrada em diferentes regiões e formações vegetais no Brasil. Há registros de sua ocorrência em estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe.

A árvore pode atingir cerca de 28 metros de altura e possui copa ampla. Dependendo da região, ela recebe nomes populares como barba-de-velho, abobreira, farinha-seca, ingá-de-pobre, samaneiro, sete-cascas ou árvore-da-chuva.

Estudos e sustentabilidade

O estudo integra uma linha de pesquisa sobre a qualidade do solo desenvolvida pelo pesquisador Henrique Nery Cipriani, da Embrapa Florestas (PR), sob orientação da professora Tsai Siu Mui, do Cena-USP. Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Ciência do Solo (RBCS), baseados em amostras coletadas entre 2022 e 2024.

A pesquisa reforça o potencial da biodiversidade nativa para a ciclagem de nutrientes e o sequestro de carbono, contribuindo para o debate sobre a sustentabilidade dos sistemas agropecuários tropicais ao comparar os benefícios do bordão-de-velho em relação ao eucalipto.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.