USDA detecta mosca-da-bicheira em animal silvestre e acende alerta econômico nos EUA
Presença do parasita em animal no Texas levanta preocupação com impactos bilionários na pecuária e na economia norte-americana.
Por Redação Diário Local
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou, nesta quarta-feira (21), a primeira detecção da mosca-da-bicheira do Novo Mundo (NWS) em um animal silvestre. A infecção foi identificada em um alce no condado de Pecos, no Texas, encontrado em uma fazenda de caça após ter sido abatido por um caçador.
A detecção acende um alerta voltado principalmente para o setor econômico. A mosca-da-bicheira é um parasita que se alimenta de tecido vivo do gado, e sua presença pode impactar severamente a produção de carne e os custos da cadeia pecuária nos Estados Unidos.
Embora a praga tenha sido considerada erradicada nos EUA em 1966, surtos recorrentes na fronteira com o México já causaram prejuízos no passado. Um estudo do USDA realizado em 2024 estimou que um novo surto, com proporções semelhantes ao ocorrido em 1976, poderia gerar uma perda de US$ 732 milhões por ano para os produtores do Texas.
Para a economia do estado texano, o impacto total estimado em um cenário dessa magnitude seria de US$ 1,8 bilhão. O Departamento ressalta que o cálculo exato é complexo devido a mudanças no tamanho da população de bovinos, ovinos e caprinos, além de novas práticas de manejo veterinário e custos de resposta.
A cadeia produtiva enfrenta riscos que vão além das mortes de animais. A infestação pode causar a redução da produção pecuária, menor disponibilidade de animais de tração e de esterco, além de exigir gastos extras com mão de obra, veículos de inspeção, medicamentos e inseticidas.
Além dos custos diretos, o governo e organizações sem fins lucrativos precisam arcar com atividades de vigilância, pesquisa de tratamentos e educação pública. O controle também envolve gastos com a Técnica do Inseto Estéril (SIT), método que utiliza radiação para impedir a reprodução do parasita.
Quais são os riscos econômicos da praga?
O impacto financeiro é acentuado pela necessidade de serviços veterinários constantes e pela possível queda na oferta de carne. No ano passado, o governo dos EUA chegou a suspender as importações de gado do México para conter o avanço do parasita, medida que contribuiu para a redução da oferta e o aumento dos preços da carne bovina no país.
O comércio com o México foi retomado de forma gradual em agosto, por meio de um porto no Arizona. O monitoramento contínuo é essencial, dado que a praga avançou do México para o norte ao longo das últimas décadas, desafiando as zonas de barreira estabelecidas na fronteira.
Como funciona o controle da infestação?
Historicamente, o combate à NWS envolveu grandes investimentos. Na década de 1960, programas de erradicação financiados pelo governo federal e por estados como o Texas custaram dezenas de milhões de dólares para estabelecer barreiras sanitárias. Em 1959, a erradicação no sudeste do país foi alcançada após um investimento de US$ 10 milhões.
O sucesso desses programas é medido pelos benefícios gerados. Em 1996, os benefícios econômicos anuais para os produtores americanos foram estimados em US$ 796 milhões, gerando um impacto positivo de US$ 2,8 bilhões para a economia do país de forma geral.
