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Brasil cria protocolo para voltar a exportar carne à União Europeia sem uso de antimicrobianos

Novo protocolo publicado em maio obriga certificação de rebanhos sem uso de medicamentos antimicrobianos para atender exigências do bloco europeu a partir de setembro.

Por Diário Local

O governo brasileiro criou um novo protocolo para tentar manter a carne bovina no mercado da União Europeia. A medida busca atender às novas exigências do bloco, que passará a cobrar, a partir de 3 de setembro, garantias de que os animais destinados à exportação não receberam antimicrobianos em nenhuma fase da vida.

O Ministério da Agricultura publicou, em 29 de maio, uma portaria criando o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos. A adesão é voluntária, mas será necessária para quem pretende continuar exportando carne ao mercado europeu.

O processo prevê a contratação de uma certificadora credenciada, assinatura de termo de adesão, elaboração de planos sanitário e nutricional, além da comprovação de controle sobre o uso dos medicamentos proibidos. Após análise documental e vistoria na propriedade, a certificadora poderá emitir o certificado em até sete dias.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor ainda está em fase de adaptação e, até o momento, não há propriedades certificadas sob o novo protocolo. "O protocolo é recente. O que está acontecendo agora é que os produtores estão procurando as certificadoras para iniciar o processo", afirma a entidade.

O desafio da monensina

O principal desafio está na cadeia da carne bovina e envolve a monensina, uma substância amplamente utilizada na alimentação de bovinos confinados. A substância é utilizada como aditivo nutricional para melhorar a conversão alimentar e eficiência digestiva dos animais, reduzindo a população de bactérias menos eficientes no trato digestivo.

Quando utilizada como medicamento, a monensina ajuda a controlar parasitas que causam diarreia, principalmente em bezerros. Na alimentação, porém, sua função é nutricional: melhora a eficiência digestiva do rebanho.

A adequação às novas regras exigirá investimentos por parte dos produtores. Para se adequar às novas exigências, os pecuaristas terão de substituir a monensina utilizada na alimentação do rebanho e buscar uma nova certificação, o que envolve custos adicionais e incerteza sobre o retorno.

Alternativas disponíveis

Segundo especialistas do setor, existem alternativas à monensina, como óleos essenciais, probióticos e outros aditivos naturais. A indústria de nutrição animal afirma que já vem se adaptando às exigências internacionais.

"O custo desses produtos é muito próximo ao dos aditivos tradicionais. A eficiência depende muito da dieta, do manejo e do perfil de cada propriedade. É um trabalho que precisa ser planejado para garantir resultados no campo", explica representante do setor.

Próximos passos

A Comissão Europeia informou que continua negociando com o Brasil, mas ressaltou que as regras que restringem o uso de antimicrobianos foram definidas em 2023 e que os países exportadores tiveram tempo suficiente para se adequar.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) informou que trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para atender às exigências do bloco e que uma missão técnica europeia deve visitar o Brasil no segundo semestre para avaliar os avanços e concluir o processo de habilitação.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.