Defesa de advogado carioca morto em São Paulo aponta hipótese de golpe
Família investiga se Pedro Ely Cordeiro dos Santos foi vítima de golpe 'Boa Noite, Cinderela' antes de ser encontrado morto em São Paulo
Por Davy Albuquerque
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte do advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado morto em São Paulo após desaparecer na última semana. A defesa da família levantou a hipótese de que ele tenha sido vítima do golpe "Boa Noite, Cinderela", em que a vítima é dopada para facilitar roubos ou extorsões.
Pedro Ely estava em São Paulo para acompanhar jogos da Copa do Mundo quando saiu com um amigo de um bar na Vila Madalena, zona oeste da capital, na noite de 9 de julho. Na madrugada do dia 10, ele foi encontrado morto na Rua Fradique Coutinho, sem documentos ou celular. A identidade da vítima foi confirmada por familiares no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo nesta quarta-feira (14).
Para a defesa, existem lacunas críticas sobre os últimos deslocamentos do advogado. O advogado da família, Marcelo Martins Ferreira, busca esclarecer o intervalo entre a saída da Vila Madalena, a passagem por Moema — região onde Pedro estava hospedado — e o retorno ao local onde o corpo foi encontrado.
A investigação também foca em movimentações financeiras realizadas após o desaparecimento. Registros indicam uma tentativa de transferência via Pix no valor de R$ 9,8 mil, que não foi concluída, além de uma compra de R$ 20 em uma adega utilizando o cartão da vítima.
Outro ponto de atenção é um registro de localização de uma ligação feita pelo celular de Pedro às 04h do dia 10 de julho, para uma empresa de investimentos da qual ele era cliente. O sinal da chamada indicava a região da Avenida Paulista, na zona central da cidade.
Por que a defesa suspeita de golpe?
O advogado da família sustenta que a ausência de lesões aparentes e as movimentações bancárias após o sumiço reforçam a suspeita de que Pedro foi dopado. Segundo a tese da defesa, a intenção de criminosos seria praticar roubo ou extorsão, podendo o advogado ter sofrido uma morte súbita decorrente da ação.
A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita e o inquérito tramita sob segredo de Justiça, atendendo a um pedido da família. As autoridades aguardam a conclusão dos laudos periciais para confirmar ou descartar as hipóteses de crime ou morte natural.
As diligências agora devem concentrar-se na análise de imagens de câmeras de segurança, registros de corridas por aplicativo e o detalhamento dos dados bancários para identificar quem teve contato com a vítima nas horas que antecederam o óbito.
