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Meio Ambiente

Quase 300 pinguins são encontrados mortos em praias de Florianópolis em um único dia

Registros da Associação R3 Animal apontam 293 mortes de pinguins-de-Magalhães na capital catarinense na última quinta-feira (9).

Por Davy Albuquerque

Um total de 293 pinguins-de-Magalhães foram encontrados mortos em praias de Florianópolis, em Santa Catarina, na última quinta-feira (9). Os registros foram realizados pela Associação R3 Animal, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na capital catarinense.

Dentre as ocorrências, a Praia do Moçambique foi o local com o maior número de animais falecidos, concentrando 106 das mortes registradas. O monitoramento das praias da cidade ocorre de forma diária para identificar e recolher os animais.

A Associação R3 Animal informou que o protocolo de atendimento depende da condição de cada carcaça encontrada. Dependendo do estado do animal, é realizada a necropsia para avaliar as possíveis causas do óbito.

Os exemplares que são encontrados vivos recebem um tratamento diferente. Eles são encaminhados ao Centro de Reabilitação da própria associação, onde passam por avaliações veterinárias até que apresentem condições de retornar à natureza.

Durante o outono e o inverno de 2026, o projeto registrou a aparição de 2.210 pinguins-de-Magalhães. Embora o volume seja inferior aos 2.700 animais registrados no mesmo período do ano anterior, a entidade afirma que o número está dentro dos padrões observados.

Apenas 148 dos 2.210 pinguins monitorados neste período foram encontrados com vida. A baixa taxa de sobrevivência é um fenômeno que já é esperado durante o processo migratório da espécie.

Por que os pinguins encalham nas praias?

O movimento migratório ocorre entre os meses de maio e junho, devido às baixas temperaturas no hemisfério Sul. Para buscar alimento, os pinguins saem de suas colônias na Patagônia Argentina e nas Ilhas Malvinas e seguem as correntes marítimas em direção ao litoral brasileiro.

Segundo a técnica de monitoramento do PMP-BS/R3 Animal, Stella Ferrari, a maioria dos animais encontrados são indivíduos jovens. Por estarem em sua primeira migração, eles frequentemente se perdem do bando devido à inexperiência.

Esses animais jovens costumam chegar às praias já mortos ou com estados de saúde debilitados. Os registros indicam que muitos apresentam sinais de hipotermia e caquexia, que é a perda extrema de peso e massa corporal.

Além da inexperiência natural, outros fatores contribuem para o encalhe dos animais. A poluição das águas é apontada como uma das causas que impactam a sobrevivência durante o trajeto.

As interações não intencionais com redes de pesca também são citadas como um risco constante para a espécie. Somado a isso, os desafios naturais encontrados durante a travagem oceânica influenciam o índice de mortalidade.

O monitoramento contínuo busca entender como essas variáveis afetam a população de pinguins que chega ao litoral catarinense. A análise das causas de morte é fundamental para o acompanhamento biológico do projeto.

O trabalho da associação inclui desde a coleta nas areias até o suporte médico aos sobreviventes. O objetivo final é garantir o conhecimento sobre o comportamento da espécie e a manutenção da vida selvagem na região.

Os dados coletados pelo PMP-BS servem de base para os estudos de monitoramento ambiental em toda a Bacia de Santos. O acompanhamento dos pinguins-de-Magalhães segue como um indicador importante de saúde marinha para o período de inverno.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.