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Meio Ambiente

Estudo em gruta de Minas Gerais mostra aquecimento na América do Sul 2,5 vezes mais rápido

Pesquisa realizada em estalagmitas na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, revela ritmo de aquecimento superior ao da era glacial.

Por Redação Diário Local

Uma pesquisa realizada na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas (MG), revelou que o aquecimento em boa parte da América do Sul está 2,5 vezes mais rápido do que a mudança natural de temperatura registrada nos últimos 20 mil anos. O estudo utilizou minúsculas gotas de água aprisionadas em rochas para obter dados sobre o comportamento das temperaturas em regiões tropicais.

As descobertas foram publicadas na revista Nature e envolvem pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e da Universidade de Bergen, na Noruega. A atividade contou com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Como funciona a análise das rochas?

O objeto de estudo foi uma estalagmite — formação rochosa que cresce do chão em direção ao teto — que estava solta na caverna. Essas estruturas se formam quando a água da chuva entra em contato com o gás carbônico da cobertura da rocha, torna-se ácida e dissolve levemente o mineral. Quando esse material entra em contato com o ar da gruta, ele se cristaliza.

Durante o processo de cristalização, minúsculas gotículas de água ficam preservadas no interior da rocha. Como a variação térmica da água da caverna reflete uma média das temperaturas externas anuais, cada gota funciona como um registro histórico das condições atmosféricas de milhares de anos atrás.

Segundo o professor de geografia da PUC Minas, Luiz Eduardo Panisset Travassos, a Gruta Rei do Mato é ideal para essa reconstituição devido ao tipo de material encontrado. Ele explica que as estalagmites possuem matriz cristalina que registra as condições ambientais por meio de inclusões fluidas.

Impacto do CO2 e cenário atual

Os resultados indicam que o aumento das temperaturas na região acompanhou diretamente o crescimento das emissões de gases de efeito estufa (CO2). De acordo com o levantamento, a temperatura média dentro da caverna mineira saltou de 14,4ºC para 20,1ºC.

O pesquisador do Instituto de Geociências da USP, Nicolás Strikis, que liderou a coleta, alerta que a taxa de aquecimento atual supera a fase mais acelerada de transição climática já registrada na história, que foi a saída da era glacial para a configuração atual do planeta.

Para enfrentar o cenário, o pesquisador aponta a necessidade de medidas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, como o reflorestamento e tecnologias de captura de gases, além da implementação de políticas públicas para a preparação da sociedade diante das consequências climáticas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.