Tarcísio de Freitas classifica greve da CPTM como 'baderna' e defende modelo de concessão
Governador de São Paulo afirmou que paralisação dos trabalhadores tem motivação política e defendeu a privatização do sistema ferroviário.
Por Redação Diário Local
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou a greve dos funcionários da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) como "baderna" e afirmou que o movimento tem motivação política. A declaração ocorre em meio à paralisação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, iniciada na madrugada desta terça-feira (4).
Em postagem realizada nas redes sociais, o governador defendeu o modelo de concessão à iniciativa privada e criticou o que chamou de "instrumentalização política" do movimento. Segundo Tarcísio, a paralisação visa prejudicar o passageiro e o direito de ir e vir do cidadão.
Tarcísio argumentou que o governo permanece aberto ao diálogo, mas reiterou que a concessão é o caminho para melhorias no sistema ferroviário. Entre os benefícios citados pelo governo estão a renovação de trens, a melhoria na acessibilidade das estações e a expansão das linhas até Bonsucesso ou César de Souza.
A paralisação atual acontece após a CPTM assumir temporariamente a operação dos ramais 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Os trabalhadores reivindicam a reestatização dessas linhas, que haviam sido repassadas para a gestão privada.
O movimento de greve também busca garantias de estabilidade profissional. Os funcionários exigem que não haja demissões quando os serviços retornarem para a responsabilidade da concessionária Trivia Trens.
De acordo com os grevistas, cerca de 2.300 trabalhadores correm o risco de perder o emprego. O grupo defende que esses profissionais sejam reabsorvidos por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta do Estado.
Para garantir essa absorção, os manifestantes apoiam o Projeto de Lei 730/2025, de autoria do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL). O texto propõe justamente a transferência dos funcionários da CPTM para a administração pública após a concessão dos serviços.
A situação atual é reflexo de uma crise operacional ocorrida recentemente. No final de julho, o governo estadual e a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) decidiram retomar a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Serviço Expresso Aeroporto.
A decisão de devolver a operação à CPTM por um período inicial de até 90 dias foi tomada após o governo considerar inaceitáveis as falhas na gestão da concessionária Trivia Trens.
Entre os problemas registrados que levaram à intervenção, destaca-se um episódio ocorrido no dia 23 de julho. Na ocasião, uma falha elétrica e um incêndio em um vagão na linha 12 causaram transtornos significativos aos passageiros.
Diante das ocorrências, o governo de São Paulo já havia adotado uma postura rígida em relação ao contrato de concessão. O governador chegou a ameaçar o rompimento formal do acordo caso a empresa não cumprisse os termos estabelecidos.
O governo estadual defende que a privatização e as concessões servem para eliminar problemas de via permanente e falhas na alimentação elétrica e nas subestações.
Por outro lado, o movimento sindical foca na manutenção do controle estatal sobre os serviços essenciais de transporte e na proteção dos postos de trabalho atuais.
A operação das linhas afetadas pela paralisação segue sob monitoramento das autoridades enquanto o impasse entre o governo e os trabalhadores da CPTM não é resolvido.
