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Investigação

Grupo investigado por lavagem de dinheiro usa 'empresas-espelho' em padarias de São Paulo para fraudes

Criminosos utilizam dois CNPJs no mesmo endereço para desviar faturamento e evitar débitos fiscais, segundo investigações.

Por Redação Diário Local

Um grupo criminoso investigado por lavagem de dinheiro utiliza um esquema de "empresas-espelho" para realizar fraudes tributárias e ocultar patrimônio em São Paulo. A engenharia financeira consiste em operar diferentes CNPJs em um mesmo endereço para desviar o faturamento quando um dos negócios apresenta débitos com a Receita Federal.

O esquema, que tem exemplos práticos em padarias da capital paulista, envolve a abertura de um estabelecimento e, meses depois, o registro de uma segunda empresa no mesmo local, mas com capital social superior. O cliente final não é informado sobre qual empresa está realizando o pagamento, permitindo que, ao surgir um alerta de dívida fiscal em um CNPJ, todo o movimento financeiro migre para o registro de maior porte.

Segundo investigações, o grupo é liderado por Mohamad Murad, conhecido como "Primo", e Roberto Leme, o "Beto Louco". A estimativa de investigadores é que o grupo tenha movimentado R$ 54 bilhões entre 2019 e 2024, sendo que ao menos R$ 8,4 bilhões foram desviados por meio de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.

Como funciona o esquema das empresas-espelho?

A dinâmica das empresas-espelho é desenhada para proteger o caixa do grupo contra fiscalizações. No modelo, um endereço físico abriga dois negócios diferentes. A fraude ocorre na gestão do faturamento: quando o fisco detecta irregularidades em um dos registros, o fluxo de caixa é direcionado para o CNPJ de maior porte, facilitando a ocultação de valores.

Em São Paulo, o caso da padaria Iracema, na Avenida Angélica, ilustra a prática. O estabelecimento foi adquirido inicialmente por uma pessoa residente em Sergipe e, posteriormente, passou para o nome de Tharek Majide Bannout. Verificações realizadas no local mostraram que, em diferentes momentos, notas fiscais com CNPJs distintos foram emitidas para as mesmas operações de consumo.

As investigações sobre o grupo fazem parte do desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação expôs uma rede que se estendia dos canaviais do interior paulista até o setor financeiro da Faria Lima.

O que dizem as defesas?

Os advogados de Mohamad Murad negam qualquer vínculo do cliente com organizações ou facções criminosas. A defesa afirma que as atividades empresariais são exercidas com estrita regularidade e respaldo documental, classificando as acusações de ligação com o crime organizado como narrativas especulativas sem respaldo nos autos do processo.

Já a defesa de Roberto Leme declarou que o empresário ainda não teve acesso à íntegra das investigações e responderá no momento processual oportuno. O advogado rejeitou a afirmação de que haja relação entre o cliente e o Primeiro Comando da Capital (PCC), classificando a informação como um erro grave que ataca a reputação do investigado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.