Homicídios caem para o menor nível em 14 anos, mas negros representam 80% das vítimas no Brasil
Apesar da menor taxa de assassinatos em 14 anos, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram aumento da violência contra negros, mulheres e população LGBT+.
Por Redação Diário Local
A taxa de homicídios no Brasil alcançou o menor índice registrado nos últimos 14 anos, mas o Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que a violência se concentra de forma desproporcional em recortes específicos da população. O levantamento aponta que, embora os assassinatos gerais tenham caído, grupos definidos por raça, gênero, idade e sexualidade apresentam maior exposição a crimes violentos.
De acordo com os dados do anuário, a disparidade racial é um dos principais indicadores do cenário de segurança. Pessoas negras compõem 80% das vítimas de homicídio no país, evidenciando o impacto da violência sobre esse grupo específico.
O monitoramento da violência de gênero também apresentou resultados críticos. O registro de casos de feminicídios atingiu um recorde em 2025, com uma média nacional de quatro mulheres assassinadas por dia no Brasil.
Em âmbito regional, o estado do Amapá liderou a alta de feminicídios no país, registrando um salto de 347% em apenas um ano. Já o estado de Santa Catarina apareceu como o local com a maior taxa de registros de ameaças contra mulheres e de crimes de racismo.
A violência contra a população LGBT+ também apresentou crescimento superior a 35% em um período de um ano. O documento ressalta, no entanto, que os números reais podem ser superiores aos contabilizados, devido ao alto índice de subnotificação desses crimes.
O perfil das vítimas de violência sexual também acende um alerta sobre a vulnerabilidade de menores. Dos registros de estupro no Brasil, seis em cada dez vítimas tinham menos de 14 anos de idade.
No que diz respeito ao público jovem, os casos de bullying e cyberbullying apresentaram um acréscimo de quase 70% em um ano. O cenário demonstra o aumento da agressividade em ambientes escolares e no meio digital.
Para analisar os aspectos raciais e de gênero no país, especialistas discutem como esses dados refletem a estrutura da violência. Os números do novo anuário levantam debates sobre as políticas públicas de proteção a esses grupos vulneráveis.
