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Distrito Federal

Novacap planta 3,4 mil árvores no Lago Sul, mas apenas 8 no Recanto das Emas em dois anos

Dados via Lei de Acesso à Informação mostram discrepância no número de mudas plantadas em comparação à população de cada região.

Por Redação Diário Local

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) realizou o plantio de 3.400 árvores na região do Lago Sul nos últimos dois anos. No mesmo período, a região do Recanto das Emas recebeu apenas 8 novas mudas.

A disparidade entre as regiões administrativas é evidente quando analisado o número de habitantes. A população do Recanto das Emas é aproximadamente 74% maior que a do Lago Sul, o que representa uma diferença de 78.649 pessoas. Na prática, o Lago Sul teve 124,94 plantios para cada 1.000 moradores, enquanto o Recanto registrou menos de um plantio por mil habitantes.

Outras cidades do Distrito Federal também apresentaram índices inferiores a um plantio por cada 1.000 moradores, como o Gama, Água Quente e Santa Maria. Na Ceilândia, a maior região administrativa do DF, o volume de plantios foi 335% menor do que o registrado no Plano Piloto, que recebeu 11.693 mudas contra 2.668 na Ceilândia.

Por que há diferença na arborização?

De acordo com a Novacap, a distribuição de plantios nas cidades é relacionada à disponibilidade física de espaço e à capacidade do programa. A companhia explicou que o planejamento de plantio em todas as regiões administrativas (RAs) segue a capacidade financeira e orçamentária disponível no período.

A Novacap também ressaltou que o Distrito Federal possui realidades urbanas distintas. Segundo a companhia, existem regiões planejadas desde a origem, com áreas públicas reservadas para o verde, e outras que surgiram de forma não planejada ou por ocupação irregular, o que impõe limitações físicas para o serviço, como a falta de canteiros e calçadas inadequadas.

O mestre em planejamento urbano e sociólogo Raphael Sebba afirma que a diferença na arborização é um sinal de desigualdade socioespacial e que a distribuição desigual se relaciona ao conceito de racismo ambiental. Para o especialista, populações de menor renda costumam ocupar periferias com menos infraestrutura verde.

O que diz a legislação

Em novembro de 2025, a Câmara Legislativa do DF (CLDF) aprovou medidas no texto do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) para ampliar a arborização e a infraestrutura verde em áreas com déficit de cobertura vegetal.

Entre as propostas aprovadas está a busca pela equidade territorial na distribuição de serviços ecossistêmicos e a priorização de espécies nativas do Cerrado. O PDOT é o documento que define as diretrizes e estratégias aplicadas às zonas urbanas e rurais do Distrito Federal.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.