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Espírito Santo

Pai muda profissão para aprender Libras e se comunicar com filho surdo no Espírito Santo

Carlos Clemente abandonou a carreira de vendedor para atuar como intérprete e garantir a inclusão do filho, de 14 anos, em São Mateus.

Por Redação Diário Local

Carlos Clemente, de 41 anos, mudou sua trajetória profissional para garantir a comunicação com o filho, Arthur, de 14 anos, que é surdo. O pai, que residia em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, deixou a carreira de vendedor para atuar como intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais).

A decisão foi tomada após a confirmação da surdez do adolescente por meio de um exame BERA, teste que avalia a resposta do sistema auditivo aos sons. Carlos, que já possuía conhecimento em Libras devido a um relacionamento anterior com uma mulher surda, decidiu profissionalizar o aprendizado para acompanhar o crescimento do filho.

Em 2012, ele iniciou a transição de carreira e, após cursar Pedagogia, passou a trabalhar como intérprete na rede estadual de ensino.

Os desafios da paternidade solo

Carlos vive a realidade de pai solo desde 2020, quando Arthur passou a morar definitivamente com ele. A rotina envolve conciliar o trabalho, as tarefas domésticas e o cuidado com a mãe, de 75 anos, que também reside com o grupo familiar e exige atenção.

A psicóloga clínica Gabriela Alvarenga aponta que a ausência de uma rede de apoio estruturada pode gerar sobrecarga emocional e dificultar o equilíbrio de quem assume sozinho as responsabilidades de criação. Segundo a especialista, o apoio é essencial para que o cuidador mantenha a própria saúde mental.

Para auxiliar na rotina enquanto trabalha, a família conta com a companhia de Barão, um cachorro da raça pastor alemão de oito anos, que acompanha o adolescente nos períodos em que o pai está ausente.

Barreiras na inclusão e saúde

Apesar do esforço familiar, o acesso a serviços especializados ainda apresenta dificuldades em São Mateus. Atualmente, Arthur não realiza acompanhamento psicológico por não haver profissionais na cidade que realizem o atendimento diretamente em Libras.

A psicóloga Gabriela Alvarenga explica que a demanda por atendimento especializado é alta e muitos profissionais não possuem o preparo necessário para utilizar a língua de sinais de forma fluente no exercício da profissão. Ela destaca que essa limitação de comunicação pode tornar os vínculos sociais e de entendimento mais superficiais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.