Diário Local
Segurança

PCC e Comando Vermelho usam programas do governo para aplicar golpes digitais, aponta TCU

Auditoria do TCU revela que facções criminosas clonam logotipos oficiais e usam Inteligência Artificial para enganar vítimas.

Por Redação Diário Local

O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estruturaram uma rede de fraudes digitais para extrair dinheiro de brasileiros, conforme revelou uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). Os criminosos utilizam programas sociais do Governo Federal como isca para enganar as vítimas.

A análise do órgão de controle identificou 1.770 anúncios fraudulentos produzidos entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025. Para conferir aparência de legitimidade aos golpes, as peças publicitárias nas redes sociais utilizavam logotipos oficiais, cores da gestão federal e artes institucionais copiadas de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal.

Além do uso da identidade visual, o relatório aponta que as facções utilizaram recursos de Inteligência Artificial para manipular a imagem e a voz de lideranças políticas. O objetivo era simular anúncios reais sobre benefícios públicos, muitas vezes acompanhados de fotos de pessoas em filas de bancos para induzir o cidadão a buscar facilidades digitais por meio de canais falsos.

Quais programas foram alvo dos golpes?

Os criminosos escolheram alvos específicos entre os principais programas da gestão federal. No Desenrola Brasil, cujas fraudes foram detectadas desde 7 de julho de 2024, as peças publicitárias prometiam resolver a situação financeira de devedores. Nesse processo, as vítimas eram induzidas a informar dados pessoais e realizar pagamentos de taxas via Pix.

Já o programa Voa Brasil, alvo de investidas desde 25 de julho de 2024, concentrava os golpes contra aposentados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Os anúncios mobilizavam o público a realizar falsas consultas de elegibilidade e a comprar passagens aéreas que não existiam.

O esquema também incluía anúncios falsos envolvendo serviços do Banco Central e informações sobre valores a receber.

Qual o impacto para as vítimas?

Segundo o TCU, o público atingido pelos golpes é composto majoritariamente por aposentados e famílias com orçamento restrito, perfis que apresentam menor letramento digital. Ao serem enganados por promessas de renegociação de dívidas ou passagens baratas, os cidadãos fornecem dados que permitem clonagem de cartões e fraudes em aplicativos de mensagens.

O relatório alerta que as vítimas acabam transferindo economias inteiras via Pix diretamente para contas controladas pelas organizações criminosas. A estratégia demonstra a capacidade de adaptação das facções ao uso da infraestrutura de internet e da imagem do Estado para financiar operações de narcotráfico.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.