PF cumpre mandados de busca em salas de pastor e empresário no Rio nesta quinta-feira (29)
Polícia Federal cumpre mandados na Barra da Tijuca em nova fase de operação que apura lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em três salas comerciais vinculadas ao pastor e empresário Márcio Poncio nesta quinta-feira (29), no Rio de Janeiro. Os endereços, localizados na Barra da Tijuca, zona sudoeste da capital, são apontados pelos investigadores como estruturas operacionais e administrativas do grupo alvo da investigação.
A ação faz parte da nona fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e o uso de empresas e terceiros para esconder a propriedade de bens e valores. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta etapa, a PF aprofunda a análise de dados extraídos de um celular apreendido em fases anteriores. Segundo os investigadores, as informações indicam a existência de uma rede patrimonial que pode envolver imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, pessoas próximas ou terceiros.
A investigação busca identificar se o grupo utiliza dinheiro em espécie, holdings patrimoniais e até entidades religiosas para ocultar a titularidade de ativos. Além de empresas brasileiras e estrangeiras, a Polícia Federal também apura o uso de mecanismos para dissimular a movimentação financeira.
A Operação Unha e Carne teve início após investigações sobre um suposto vazamento de informações sigilosas de uma ação policial contra o Comando Vermelho (CV). O foco central, no entanto, voltou-se para indícios de lavagem de dinheiro relacionados à chamada 'Máfia do Cigarro' e possíveis repasses a agentes públicos.
Márcio Poncio, de 52 anos, já havia sido preso pela Polícia Federal em julho, durante a quinta fase da operação, enquanto estava em um flat na Barra da Tijuca. O avanço das apurações ocorreu após a apreensão de listas atribuídas ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como chefe de um grupo criminoso.
De acordo com os investigadores, o material apreendido com Adilsinho indicaria registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e outras movimentações ligadas à lavagem de capitais.
Pastor evangélico há mais de duas décadas e empresário do ramo do tabaco, Poncio também possui trajetória política. Em 2022, ele foi segundo suplente de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Em 2026, disputou a prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em uma eleição suplementar, mas foi derrotado.
