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Educação

Pesquisa revela que 65% dos professores brasileiros já sofreram agressões em ambiente escolar

Levantamento mostra que violência verbal é o tipo mais comum de agressão contra educadores; Brasil lidera ranking de intimidação da OCDE

Por Davy Albuquerque

Mais de 65% dos professores brasileiros relatam já ter sofrido algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar, aponta pesquisa realizada pelo Centro do Professorado Paulista (CPP). O levantamento, feito com 1.144 educadores, revela que a violência verbal é a forma mais comum de ataque, registrada por 71% dos entrevistados.

O cenário de insegurança para os profissionais da educação também é destacado em dados internacionais. Segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizado em 2024, o Brasil lidera o ranking de violência contra docentes entre 55 países pesquisados. No país, 47% dos professores relatam sofrer intimidação ou abuso verbal por parte de alunos, número significativamente acima da média global de 18%.

Quais são os tipos de agressão mais comuns?

De acordo com os dados do CPP, a violência psicológica e moral atinge 58% dos docentes pesquisados. Já a violência institucional foi relatada por 27% dos profissionais, enquanto a agressão física foi registrada por 19% dos participantes da pesquisa.

Além desses dados, o Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es da Universidade Federal Fluminense (Onve-UFF) acompanha o avanço da perseguição contra professores. Esse fenômeno inclui práticas como censura, tentativas de intimidação, exposição em redes sociais e assédio jurídico. Um estudo do grupo com mais de 3 mil educadores indica que 61% dos profissionais da educação básica e 55% do ensino superior já passaram por esse tipo de violência.

Como se manifesta a violência escolar?

Especialistas apontam que o problema possui diferentes origens e camadas. A violência pode ocorrer "na escola", como o embate direto entre alunos e educadores, ou "da escola", quando políticas públicas são implementadas sem oferecer estrutura mínima, como o caso da inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) em salas regulares sem o suporte necessário.

Existe ainda a violência "contra a escola", que abrange a depredação do patrimônio físico e a desvalorização da instituição como pilar da educação na sociedade. Esse contexto tem gerado impactos severos na saúde mental dos profissionais, com relatos de traumas psicológicos, pânico e necessidade de afastamento médico.

Casos de agressão física e ameaças também são registrados em unidades de ensino. Em São Paulo, a falta de estrutura para atender alunos com necessidades específicas tem sido citada em episódios de violência, que variam de agressões físicas a casos de ameaças de morte por parte de familiares de estudantes.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.