Tesoureira incentiva destruição de celular com provas de estupros em Roraima
Investigação da Polícia Civil aponta que tesoureira de igreja incentivou destruição de aparelho para ocultar crimes cometidos por casal de líderes.
Por Davy Albuquerque
A Polícia Civil de Roraima aponta que a tesoureira de uma igreja incentivou a destruição de um celular que continha provas de crimes sexuais supostamente praticados por um casal de líderes religiosos. Imagens obtidas pela investigação mostram o momento em que a mulher orienta adolescentes a martelarem o aparelho para dificultar a apuração dos fatos.
Segundo o relatório final da Polícia Civil, a tentativa de ocultar evidências incluía a orientação para que uma das vítimas registrasse um boletim de ocorrência falso, alegando o extravio do telefone. O caso envolve supostos estupros praticados por Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, que se apresentavam como pastores evangélicos.
Como funcionava a dinâmica de abusos?
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), começaram em abril deste ano, após o registro de uma ocorrência envolvendo uma adolescente de 14 anos. Ao longo da apuração, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, relataram situações semelhantes.
De acordo com a delegada Kamilla Basto, responsável pelo inquérito, o casal utilizava a posição de liderança para conquistar a confiança das vítimas e de seus familiares. A polícia afirma que eram oferecidas vantagens, como dinheiro e transferências via Pix, para evitar denúncias.
A investigação destaca ainda que a estrutura da instituição religiosa contribuía para um ambiente de intimidação. Documentos da igreja previam punições para integrantes que apresentassem comportamentos considerados de dissidência ou rebeldia contra a autoridade dos líderes.
Quais são as acusações?
Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima de Souza foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou exploração de pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Arielly Kamyla Moraes de Souza responderá, em tese, pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. A Polícia Civil sustenta que os atos ocorreram sob manipulação psicológica e coerção, o que afasta qualquer alegação de consentimento das vítimas.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. A delegada responsável também representou pela prisão preventiva de ambos os investigados, pedido que aguarda análise da Justiça.
