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Agricultura

Estoques recordes e avanço do agro podem reduzir impacto do Super El Niño no mercado mundial

Níveis recordes de estoques, avanço tecnológico e o papel de grandes exportadores como Brasil e Rússia trazem maior proteção ao sistema alimentar global.

Por Redação Diário Local

O sistema alimentar global apresenta maior preparo para enfrentar os efeitos de um forte episódio de El Niño em comparação a eventos ocorridos no passado. Estoques de produtos agrícolas em níveis recordes, avanços tecnológicos e a ascensão de países como Brasil e Rússia entre os grandes exportadores aumentam a capacidade de compensação de eventuais perdas de produção.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e análises de especialistas, a produção agrícola mundial tem crescido acima do consumo e do aumento da população desde a década de 1980. Esse avanço foi impulsionado por variedades de plantas mais produtivas, maior uso de fertilizantes, melhorias na irrigação e técnicas de proteção de lavouras, beneficiando culturas como arroz, trigo, milho e soja.

Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola Episode 3, afirma que mesmo em condições de seca, o melhor manejo da irrigação e a ciência aplicadas às culturas permitem a manutenção de rendimentos comercializáveis. Embora ainda existam riscos para a oferta e os preços, a preparação atual tende a tornar as consequências menos severas do que em décadas anteriores.

Como a tecnologia e os estoques protegem o mercado?

Um cenário de maior proteção é formado por estoques elevados de grãos, sementes resistentes à seca, previsões meteorológicas precisas, agricultura de precisão e sistemas de irrigação eficientes. Na Índia, por exemplo, a semeadura das principais culturas segue ritmo próximo ao normal, contando com grandes reservas de arroz que equivalem a mais de um ano das exportações globais do cereal.

A China também exerce papel de reserva ao concentrar quase metade dos estoques mundiais de trigo, o que pode reduzir a necessidade de importações caso ocorram secas em fornecedores como a Austrália. Além disso, os estoques globais de óleo de palma, que representam cerca de 60% das exportações de óleos comestíveis, também estão próximos de níveis recordes.

A tecnologia de ponta também atua como barreira. Desde 2015, o uso de híbridos de milho tolerantes à seca se expandiu nas Américas e na África. Na Ásia, variedades de arroz de ciclo curto ajudam a lidar com chuvas irregulares, enquanto o uso de satélites, mapas de umidade e inteligência artificial permite direcionar insumos de forma mais eficiente.

O papel de novos grandes exportadores

O Brasil e a Rússia ganharam peso relevante na oferta mundial nas últimas décadas. O Brasil consolidou-se como o maior fornecedor mundial de soja, com exportações que cresceram mais de 13 vezes desde o período de 1997 e 1998. A Rússia também expandiu sua participação, com exportações de trigo atingindo 48 milhões de toneladas no ano passado.

Essa maior diversificação de fornecedores significa que quebras de safra em regiões específicas podem ser parcialmente compensadas pela produção de outros países. Segundo o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, os governos possuem hoje informações superiores que permitem uma preparação mais célere para eventuais crises.

Quais são os riscos remanescentes?

Apesar das melhorias, o sistema global permanece vulnerável a choques simultâneos. Conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro podem comprometer os ganhos de produtividade ao afetar a disponibilidade de combustíveis e fertilizantes. A crise no Estreito de Ormuz é um ponto de atenção para o comércio de petróleo e gás natural.

Para a FAO, os efeitos do El Niño dependerão da evolução das condições climáticas no segundo semestre de 2026 e do impacto de conflitos sobre os preços dos insumos. A combinação de clima extremo com custos elevados de produção ainda mantém a possibilidade de pressão sobre a oferta e os preços globais de alimentos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.