Ambev deve apresentar resultados sólidos no 2T, mas mercado já antecipa trimestre forte
Bancos projetam crescimento no volume de vendas de cervejas no Brasil, mas alertam para nível de exigência do mercado
Por Diário Local
A Ambev deve divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) no dia 30 de julho. As projeções indicam um período de desempenho sólido, especialmente no segmento de cervejas, embora analistas alertem que o mercado já tenha antecipado grande parte desse crescimento no preço das ações.
O Itaú BBA projeta um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado de R$ 6,5 bilhões. Para a operação de cervejas no Brasil, a expectativa é de crescimento de 8% no volume de vendas em relação ao mesmo período do ano passado.
Já o JPMorgan estima um Ebitda consolidado de R$ 6,68 bilhões e um lucro líquido de R$ 3,11 bilhões. O banco revisou ligeiramente suas projeções de volume de cerveja no Brasil, reduzindo a expectativa de 10% para 7% de crescimento anual, citando a pressão no poder de compra das famílias brasileiras devido ao endividamento.
Como deve ser o desempenho das cervejas no Brasil?
De acordo com o Itaú BBA, além do aumento no volume, deve haver um avanço de 6% nos preços, o que pode resultar em uma expansão de cerca de 14% na receita líquida do segmento. A expectativa é que a empresa mantenha sua liderança nas principais categorias.
No que diz respeito aos custos, o banco prevê uma normalização gradual ao longo do ano, beneficiada pelo câmbio e pelos contratos de proteção (hedge) de commodities. Contudo, as despesas com marketing e comerciais devem seguir elevadas devido aos investimentos relacionados à Copa do Mundo.
O JPMorgan também observa um cenário de preços resilientes, o que compensa uma postura mais cautelosa quanto aos volumes. O banco elevou a projeção de receita por hectolitro de 5,0% para 5,5%, apesar de ter reduzido a estimativa de Ebitda da divisão de cervejas no Brasil para R$ 3,23 bilhões.
O que esperar das bebidas não alcoólicas?
O cenário para o segmento de bebidas não alcoólicas (NAB) é visto como mais desafiador. O Itaú BBA projeta um recuo de 2% no volume de vendas na comparação anual, pressionado por condições climáticas menos favoráveis e uma base de comparação forte.
Em contrapartida, a expectativa é de uma queda de 2% no custo dos produtos vendidos (COGS) para essa divisão. O JPMorgan revisou sua expectativa de volume para o segmento, passando de estabilidade para uma queda de 2% na comparação anual.
Quais são os desafios nas operações internacionais?
Nas operações fora do Brasil, o ambiente é considerado complexo. Na América Latina Sul, a inflação na Argentina tem pressionado o consumo, enquanto na América Central e Caribe, a descontinuação das atividades em Cuba deve impactar os números reportados.
No Canadá, embora haja expectativa de benefícios com os jogos da Copa do Mundo realizados no país, o Itaú BBA projeta um desempenho fraco para os volumes. O cenário global exige atenção para entender se a melhora na dinâmica competitiva da empresa é uma mudança estrutural ou apenas temporária.
