Apenas 1,58% dos jovens mais pobres do Brasil chegam ao ensino superior, mostra estudo
Pesquisa do IMDS revela abismo na conclusão da graduação entre jovens ricos e pobres, além de desigualdades de raça e gênero.
Por Redação Diário Local
Apenas 1,58% dos jovens pertencentes aos 25% mais pobres da população brasileira conseguem concluir o ensino superior, segundo dados do Atlas da Mobilidade Social. O estudo foi desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab.
O levantamento detalha a dificuldade de ascensão social no país e revela que o acesso à universidade é restrito a uma pequena parcela dos brasileiros de baixa renda. Em contraste, entre os jovens que compõem os 25% mais ricos, a taxa de conclusão da graduação é de 37,7%.
A classe média brasileira também apresenta índices de formação acadêmica baixos, com apenas 4,17% de jovens que completam o ensino superior. O estudo indica que este grupo está estatisticamente mais próximo da base da pirâmide de renda do que do topo.
As desigualdades no acesso à educação começam antes do nível universitário, refletindo-se na conclusão do ensino médio. Enquanto 90,73% dos jovens nos 25% mais ricos terminam essa etapa escolar, apenas 47,05% dos jovens nos 25% mais pobres conseguem o diploma.
No nível médio, a classe média registra uma taxa de conclusão de 59,54%. O abismo educacional entre as diferentes faixas de renda compromete o papel da trajetória escolar como instrumento de transformação social e acesso a empregos mais estáveis.
Como a raça e o gênero influenciam a mobilidade social?
O Atlas da Mobilidade Social aponta que fatores como cor da pele e gênero são determinantes para a permanência na mesma faixa de renda. Entre jovens não brancos nascidos nos 25% mais pobres, 51,5% chegam à vida adulta sem alterar sua condição econômica.
No mesmo grupo de renda, o cenário para jovens brancos é diferente: o índice de permanência na mesma faixa de renda é de 36,3%. Os dados sugerem que a cor da pele é um componente crítico na dificuldade de movimentação econômica no Brasil.
O recorte de gênero revela disparidades ainda mais acentuadas na base da pirâmide. Entre as mulheres nascidas em famílias pertencentes aos 25% mais pobres, 65,1% permanecem na mesma faixa de renda na fase adulta.
O índice para as mulheres é quase o dobro do registrado entre os homens do mesmo estrato social, que apresentam uma taxa de 32,9%. O estudo conclui que a combinação de pobreza, gênero feminino e raça não branca cria barreiras que se acumulam ao longo da vida.
