Percepção de alta nos alimentos desafia campanha de Lula, segundo pesquisa Quaest
Apesar de indicadores oficiais mostrarem alívio na inflação, 67% dos entrevistados afirmam que alimentos ficaram mais caros no último mês.
Por Redação Diário Local
A sensação de alta nos preços dos alimentos continua sendo um desafio para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula (PT). Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2), 67% dos entrevistados afirmam que os preços dos alimentos subiram no último mês, contrastando com os sinais de alívio mostrados por indicadores oficiais.
Apenas 9% dos participantes da pesquisa perceberam queda nos valores, enquanto 22% disseram que os preços ficaram iguais. O cenário coloca a percepção do consumidor no centro da disputa eleitoral, já que a despesa com supermercado é frequente e facilmente comparada pelo eleitor no cotidiano.
Qual a diferença entre os índices e a percepção do eleitor?
Embora os dados oficiais apontem uma tendência de queda, existe um descompasso com o que é sentido nas compras mensais. Em julho, o IBGE registrou queda de 0,67% no grupo de alimentação e bebidas. Na prévia de agosto, o movimento seguiu com os alimentos recuando 0,57%.
A discrepância ocorre porque uma queda mensal indica que produtos ficaram mais baratos em relação ao mês anterior, mas não necessariamente que retornaram aos patamares de preços anteriores ao período de inflação acumulada. O consumidor acaba confrontando os novos preços com o nível de custo que já estava habituado nos meses e anos passados.
Exemplos recentes dessa oscilação incluem a queda no preço do tomate, de 27,38%, e da batata-inglesa, de 25,14%, conforme dados da prévia de agosto. Por outro lado, itens como leite longa vida e frutas apresentaram altas de 3,41% e 3,11%, respectivamente.
O cenário eleitoral e a economia
A economia também reflete uma percepção negativa geral: 49% dos entrevistados consideram que a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses, contra 19% que enxergam melhora. Esse panorama impacta as avaliações do governo, que registrou 48% de desaprovação e 45% de aprovação na mesma pesquisa.
Na disputa presidencial, o presidente Lula registra 37% das intenções de voto, frente a 30% de Flávio Bolsonaro (PL). Em um eventual segundo turno, o levantamento indica empate técnico, com 42% para Lula e 41% para Flávio, dentro da margem de erro.
A campanha governista deve buscar transformar a desaceleração da inflação em argumento, enquanto a oposição pode utilizar a percepção de custo de vida para sustentar críticas ao desempenho econômico do governo.
