Novo CEO da B3 define falha técnica em julho como chamado para melhoria operacional
Christian Egan afirmou que o atraso na abertura dos mercados em julho servirá para elevar a robustez operacional da companhia.
Por Redação Diário Local
O novo presidente da B3, Christian Egan, afirmou nesta quarta-feira (12) que a falha técnica ocorrida em 31 de julho, que atrasou a abertura dos mercados, serviu como um estímulo para o aprimoramento dos processos da companhia. O executivo reconheceu que o episódio não correspondeu às expectativas do mercado nem aos padrões internos exigidos pela própria empresa.
Durante teleconferência de resultados do segundo trimestre, Egan destacou que o incidente está sendo acompanhado diretamente pela alta liderança. Segundo ele, a robustez operacional será um dos pilares de sua gestão, com o objetivo de elevar a qualidade dos serviços de forma contínua e mensurável.
O presidente da B3 informou que não pretende redefinir o rumo da companhia, mas sim acelerar a execução de um plano já existente. Essa estratégia é baseada em três pilares centrais: tecnologia, desenvolvimento de pessoas e proximidade com os clientes.
Egan relatou que dedicou suas primeiras semanas à frente da companhia para dialogar com colaboradores, clientes, reguladores e demais participantes do mercado. O foco será tratar o episódio como um "chamado à ação" para melhorar os procedimentos operacionais.
Como a B3 pretende evitar novas falhas técnicas?
O diretor financeiro da B3, André Milanez, afirmou que a companhia já adotou as providências para evitar que o problema de 31 de julho se repita. Ele ressaltou que as medidas visam a antecipação e a aceleração de iniciativas técnicas que já vinham sendo desenvolvidas.
Questionado sobre a necessidade de novos aportes, Milanez minimizou a possibilidade de um aumento significativo nos investimentos para lidar com o incidente. Ele explicou que o foco está na repriorização de recursos internos e na aceleração de projetos já previstos.
Atualmente, a B3 destina aproximadamente 10% de sua receita líquida para áreas como tecnologia, modernização de plataformas e desenvolvimento de produtos. A administração espera que essa estratégia não gere um impacto relevante no orçamento deste ano.
O que esperar dos volumes de negociação nos próximos meses?
Sobre a movimentação do mercado, Milanez explicou que o mês de julho costuma apresentar volumes menores devido à sazonalidade das férias no Brasil e no hemisfério norte. Historicamente, os números ficam entre 10% e 15% abaixo da média dos seis meses anteriores.
O diretor observou que os volumes de agosto têm demonstrado força até o momento. Ele pontuou que, em anos eleitorais, a redução sazonal pode ser mais intensa, chegando a 20%, mas costuma ser seguida por uma recuperação mais robusta.
A expectativa da administração é que a proximidade das eleições presidenciais mantenha o interesse dos investidores e a volatilidade nos mercados de ações e derivativos. Essa dinâmica costuma impulsionar a atividade de negociação no curto prazo.
Como a diversificação impacta os resultados da companhia?
A B3 destacou que a estratégia de diversificação tem reduzido a dependência da empresa dos ciclos tradicionais e voláteis do mercado de ações. Atualmente, cerca de metade da receita da companhia provém de negócios recorrentes.
Essas linhas de receita, que são menos dependentes das oscilações do mercado, registraram crescimento de 17% na comparação anual. Para a administração, o desempenho do trimestre confirma que a transformação para um modelo de negócios mais estável está avançando.
Além do volume negociado, a rentabilidade da operação é influenciada por fatores como o mix de produtos, a participação de investidores de varejo e as operações de alta frequência. A companhia também segue investindo em novos produtos, como contratos ligados ao PIB e à inflação.
Qual o impacto do aumento da carga tributária para a B3?
A administração comentou que o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) elevou a alíquota da empresa de 34% para 37% desde abril. No entanto, Milanez afirmou que os benefícios fiscais de juros sobre capital próprio (JCP) compensam esse efeito no curto prazo.
A empresa utilizou R$ 1,5 bilhão desse estoque de JCP em 2025 e outros R$ 750 milhões neste ano. A companhia estuda medidas de otimização tributária para mitigar os efeitos permanentes do aumento da carga quando os benefícios extraordinários forem consumidos.
