Bradesco BBI reduz recomendação para ações brasileiras e muda foco para exportadoras
Banco reduz exposição a ativos nacionais para nível neutro e passa a privilegiar empresas com receitas em dólar e fluxos previsíveis.
Por Redação Diário Local
O Bradesco BBI decidiu reduzir taticamente sua recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra. A mudança de posicionamento ocorre após um período de forte valorização dos ativos nacionais, com os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler avaliando que o rali observado após as eleições avançou mais rápido do que novos fatores capazes de sustentar novas altas.
O MSCI Brazil acumulou ganhos de cerca de 13% em dólares no mês de outubro, superando outros mercados globais como o S&P 500 e o Nasdaq. No entanto, o banco argumenta que a parte mais fácil da reprecificação já ficou para trás, uma vez que as ações brasileiras deixaram de negociar com o desconto expressivo registrado meses atrás.
De acordo com a análise, o índice é negociado atualmente a 9,3 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, patamar próximo da média histórica de 10 vezes. Em junho, o desconto em relação a essa média era de aproximadamente 20%.
Por que o banco mudou o foco da carteira?
O banco promoveu uma reorganização em sua carteira para a América Latina, priorizando empresas exportadoras e negócios com receitas mais previsíveis. A estratégia busca proteger a carteira contra uma eventual desaceleração da economia doméstica e aproveitar a receita em dólar.
Entre os papéis retirados da recomendação estão Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4), B3 (B3SA3), Equatorial (EQTL3), Cogna (COGN3), Cyrela (CYRE3) e EcoRodovias (ECOR3). No lugar, o banco passou a privilegiar nomes como Sabesp (SBSP3), JBS (JBSS3), WEG (WEGE3), Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3), BB Seguridade (BBSE3) e Cury (CURY3).
Para o Bradesco BBI, as exportadoras ganharam pouco durante o rali recente, enquanto empresas reguladas, como a Sabesp, oferecem fluxos de caixa mais previsíveis, muitas vezes corrigidos pela inflação. A BB Seguridade foi destacada pelo dividend yield próximo de 10% e a Cury pela rentabilidade estimada em cerca de 70% sobre o patrimônio.
Quais as projeções para o crescimento econômico?
A instituição também acendeu um alerta para o ambiente macroeconômico do próximo ano. Os economistas do banco projetam uma desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 1,0% em 2027, ante a previsão de 1,7% para 2026.
Além do crescimento mais moderado, a expectativa é de aumento da taxa de desemprego, desaceleração do crédito e crescimento mais lento nas vendas do varejo. O consenso de mercado aponta uma expansão de apenas 2% nos lucros por ação das empresas brasileiras em 2027.
O desafio fiscal também permanece no radar do banco, com a projeção de que a dívida bruta avance de 83,6% para 88,2% do PIB. Esse movimento mantém o foco dos investidores na capacidade de implementação de medidas de equilíbrio das contas públicas pelo governo.
