Bradesco manterá expansão do crédito com foco em garantia apesar do cenário econômico
Presidente do banco afirma que expansão será seletiva e focará em operações com garantias para conter efeitos da inadimplência.
Por Redação Diário Local
O Bradesco manterá o plano de ampliar sua carteira de crédito, independentemente das condições macroeconômicas, com foco em modalidades que possuam garantias e clientes com menor risco. A afirmação foi feita pelo presidente do banco, Marcelo Noronha, nesta sexta-feira (23), durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2026 para investidores.
Segundo o executivo, a estratégia de crescimento será seletiva para enfrentar o aumento da inadimplência. A expansão deve se concentrar em áreas com maior proteção contra perdas, como o crédito consignado, o financiamento de veículos e operações empresariais que utilizem garantias.
O que mudou na inadimplência e no crédito?
O banco registrou uma inadimplência acima de 90 dias de 4,6% em setembro, valor superior aos 4,1% registrados no mesmo mês de 2025. Noronha explicou que o ambiente econômico atual afeta a capacidade de pagamento dos clientes, mas ressaltou que a instituição possui uma carteira controlada.
Parte da alta nos índices de atraso está relacionada a operações que contam com garantias públicas, como as dos fundos FGI (Fundo Garantidor para Investimentos, administrado pelo BNDES) e FGO (Fundo Garantidor de Operações, administrado pelo Banco do Brasil). Embora essas modalidades possam apresentar atrasos, elas oferecem proteção contra perdas efetivas ao banco.
A carteira de crédito total do Bradesco chegou a R$ 1,15 trilhão em setembro, o que representa uma alta de 11,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi impulsionado pelas grandes empresas, que tiveram avanço de 14,8%, enquanto o crédito para pessoas físicas subiu 7,4%.
Resultados e reforço de capital
No terceiro trimestre de 2026, o Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 7,11 bilhões, alta de 14,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O retorno sobre o patrimônio foi de 15,6%.
O banco também concluiu, neste mês, uma operação de aumento de capital de R$ 10 bilhões. A movimentação elevou o índice de capital principal para 12,1%, o que amplia a capacidade da instituição para novos financiamentos e investimentos em tecnologia, como inteligência artificial e digitalização.
Os resultados, que haviam sido antecipados da data prevista originalmente para 4 de novembro, foram divulgados após o aumento de capital. O balanço detalhado do plano de transformação da instituição deve ser apresentado em fevereiro de 2027.
