Brasil acumula déficit de US$ 144 bilhões em relação aos EUA em quatro décadas de comércio
Dados do Departamento do Censo dos EUA mostram que Washington registrou saldo positivo em 26 dos últimos 41 anos de trocas comerciais.
Por Redação Diário Local
O Brasil acumula um déficit de 144 bilhões de dólares (R$ 734 bilhões) no comércio de bens com os Estados Unidos ao longo de quatro décadas. Os dados do Departamento do Censo dos EUA indicam que Washington registrou saldo positivo em 26 dos 41 anos da série histórica analisada.
Ao incluir a prestação de serviços, o lucro acumulado dos Estados Unidos com o Brasil entre 2000 e 2025 atingiu 480 bilhões de dólares (R$ 2,4 trilhões), de acordo com o Departamento de Análise Econômica (BEA). Mesmo com esse cenário, o governo americano impôs uma nova tarifa de 25% sobre exportações brasileiras e uma taxa de 12,5% por suposta falha no combate ao trabalho escravo.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que a nova medida deve atingir apenas 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Isso ocorre porque o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) mantém uma lista de aproximadamente 2.100 exceções, que engloba minerais, metais e commodities agrícolas cuja demanda interna americana não é suprida.
Como funciona a balança comercial entre os dois países?
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos passou por mudanças significativas desde 1985. Entre 1985 e 1995, o Brasil chegou a registrar saldos positivos nas trocas com os americanos. O cenário mudou durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, com a ampliação da compra de veículos, aeronaves e equipamentos eletrônicos dos EUA.
O Brasil voltou a ter vantagem comercial em 2002 e atingiu um lucro recorde em 2005, impulsionado pela venda de petróleo, café, ouro e minério de ferro. No entanto, a partir de 2008, ano da crise financeira americana, os Estados Unidos deixaram de registrar déficit no comércio de bens com o país.
Em 2025, o déficit brasileiro com os americanos subiu para 14,4 bilhões de dólares (R$ 73,4 bilhões), o dobro do valor registrado no ano anterior. No setor de serviços, o superávit americano foi o maior em 26 anos, somando 27,4 bilhões de dólares (R$ 139 bilhões) em 2025.
Quais são os principais pontos de disputa?
As investigações conduzidas pelo USTR abrangem temas que vão além das mercadorias, incluindo o sistema de pagamentos Pix, a regulação de plataformas digitais e questões de corrupção. No campo dos produtos, as disputas envolvem minerais, autopeças e automóveis.
O etanol é um dos setores de maior esforço na investigação americana. O USTR acusa o Brasil de interromper o tratamento tarifário especial ao combustível importado dos EUA em 2017. Com a soma de tarifas genéricas, o etanol brasileiro pode enfrentar taxas superiores a 30% ao entrar nos Estados Unidos.
