Brasil precisa de novas fronteiras de petróleo para manter protagonismo, alerta especialista
Avanço na exploração de novas áreas, como a Margem Equatorial, é essencial para compensar a queda na produção do pré-sal, afirma Pedro Rodrigues.
Por Redação Diário Local
O Brasil precisa avançar sobre novas fronteiras exploratórias para garantir a manutenção da sua produção de petróleo no longo prazo, afirma o especialista em petróleo e gás Pedro Rodrigues.
Segundo Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o pré-sal está em uma curva de produção que deve entrar em declínio, o que torna necessária a descoberta de novas reservas para preservar o papel do país no setor.
O petróleo é um pilar central para a economia brasileira, tendo liderado as exportações do país em 2024 e 2025, superando o volume de soja. Para o especialista, sem a exploração de novas áreas, o Brasil deixará de ser protagonista para apenas administrar a redução de sua produção.
Por que o licenciamento da Margem Equatorial é criticado?
Um dos pontos de atenção levantados por Rodrigues refere-se à demora no início da perfuração do poço Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas. O bloco responsável pela área foi arrematado em leilão em 2013 e o processo de licenciamento ambiental teve início em 2014.
Após um pedido negado pelo Ibama em 2023, a licença para perfurar o poço foi concedida apenas em outubro de 2025, após um intervalo de mais de 11 anos. A autorização atual é restrita ao poço Morpho, que fica a cerca de 175 km da costa do Amapá.
A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço, mas a descoberta ainda se encontra em fase exploratória. A estatal agora precisa avaliar o volume, a qualidade e a viabilidade comercial do reservatório antes de iniciar a produção propriamente dita.
Qual o risco da mudança de regime de exploração?
Rodrigues também manifestou preocupação com propostas de setores do governo que defendem a troca do regime de concessão pelo regime de partilha nos próximos leilões da Margem Equatorial. A mudança dependeria de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para classificar as áreas como estratégicas.
No regime de concessão, a empresa assume os riscos e retém o petróleo produzido após o pagamento de impostos e royalties. Já no regime de partilha, a produção pertence à União, e o excedente de óleo é dividido com a empresa após a recuperação dos custos.
Para o especialista, a alteração das regras de exploração pode aumentar a insegurança regulatória e reduzir a atratividade da região para as petroleiras, citando que o Brasil já enfrentou paralisações de leilões após adotar o regime de partilha no pré-sal.
